Brasil 2000, Metrópole, Santa Mônica, Edição Especial, Almas Iguais, New York, Fonte Luminosa... Enquanto você lê este texto, incontáveis conjuntos paranaenses viajam pelas estradas do país - indo ou voltando de shows. Nenhum deles, no entanto, tem mais milhas rodadas do que o Jair Supercap, talvez a banda de baile mais antiga do Estado ainda em atividade.
Formado pelos irmãos Barreto, de Jacarezinho (Norte Pioneiro), em 1974, o grupo ficou notório pelo carisma de Jair, um showman nato, intuitivo. Maquiado e fantasiado, o artista popular divertia o público com suas imitações de Ney Matogrosso, Maria Bethânia e Simone no antigo programa do Bolinha, na TV Bandeirantes.
A reportagem encontrou a banda animando uma ''domingueira'' na Sociedade Água Verde. Nos dois salões do clube, um público dança ao som de sucessos sertanejos e gauchescos. São mulheres e homens entre 45 e 65 anos, envolvidos num clima de paquera quase adolescente. Enquanto Jair e sua trupe não aparecem, um DJ e um grupo de vanerão promovem o arrasta-pé.
Odilon, um dos irmãos fundadores do Supercap e técnico da banda, é o primeiro a chegar. Ele já foi baixista, mas trocou de lado por conta de uma desilusão com o meio. ''Ninguém se importa mais com a música. O som ter quem ser alto, só isso'', lamenta.
Para ele, a decadência da música popular começou há cerca de dez anos. O técnico fala com saudade do tempo em que tocava canções de Tim Maia e Lulu Santos nos bailes. Nas formaturas, os hits eram ''Coração de Estudante'' e ''Canção da América''. ''Agora os formandos pedem 'Chora, Me Liga'. Dá para entender?'', revolta-se.
Ainda assim, sua mulher e o filho de 20 anos continuam no palco. Ela é uma das vocalistas do grupo, enquanto o rapaz seguiu o pai no contrabaixo. Ao todo, 12 membros da família Barreto fazem parte do Supercap, entre músicos, técnicos e produtores. ''É o Jair que mantém todo mundo unido. Se ele tivesse a minha cabeça, já teria parado'', confessa Odilon.
'Optei pela família'
O band leader, enfim, chega ao clube. Passa rápido pelo corredor e o seguimos até o camarim. É um espaço pequeno e precário, com apenas um espelho e marcas de infiltração pelas paredes. Enquanto a garotada do balé se prepara, Jair, o sobrevivente, atende a reportagem.
''Quando aparecia no Bolinha, recebi vários convites para largar a banda. Mas optei pela família'', diz, sobre a longevidade do Supercap. Aos 57 anos, ele se mantém antenadíssimo com as paradas de sucesso. A prova é uma caixa de papelão que carrega para todo lugar, cheia de fichas com nomes de músicas novas. Até o som emo de Fresno e NX Zero tem lugar no repertório.
Quanto aos negócios, o artista (que também é dono de uma rádio em Cambará) não tem do que reclamar. Mesmo com a proibição dos showmícios. ''Isso foi bom para quem realmente tem qualidade. Limpou o mercado das porcarias'', afirma.
Atualmente, o Supercap faz em média 14 shows por mês, com cachês entre R$ 4 mil e R$ 15 mil. O ponto alto do ano na agenda é a Festa do Peão de Barretos (SP), da qual a banda é uma das atrações mais tradicionais. ''Dessa vez, vamos fechar para o Roberto Carlos'', orgulha-se.
E por falar no Rei, é hora de começar a apresentação, que vai contar com uma sequência inteira de canções do ídolo popular. Depois de uma abertura ''épica'', com direito a efeitos especiais e música tecno, Jair sobe ao palco usando um paletó azul, em referência ao homenageado da noite. Ao som de ''Detalhes'', os casais se grudam no centro da pista. (O.G.)

mockup