Jacarezinho quer restaurar as obras de Sigaud
Inaugurada em 1949, com arquitetura em estilo neoclássico, a catedral de Jacarezinho, dedicada à Nossa Senhora da Imaculada Conceição, é imponente por fora e artística por dentro, onde se destacam as pinturas do artista Eugênio de Proença Sigaud (1899-1979), um dos mais importantes do Brasil no século 20.
Declaradamente ateu, ele só aceitou trabalhar na igreja de Jacarezinho devido à insistência de seu irmão, Dom Geraldo de Proença Sigaud, que era o bispo daquela diocese na época.
Eugênio de Proença Sigaud precisou de três anos, de 1954 a 1957, para pintar 600 metros de área interna da igreja, incluindo o interior da nave, as paredes laterais e cúpula.
''O bispo utilizou o estilo de um artista, que soube dar um olhar para um projeto unitário dentro do templo. Isso quase não existe no Brasil'', ressalta Sergio Ceron.
Com formação em engenharia e comunista declarado, Sigaud gostava de se expressar socialmente em suas obras. Era conhecido como o ''pintor dos operários'', devido ao seu gosto pelo retrato dos trabalhadores e considerava a pintura da igreja apenas como uma encomenda, nada além disso. Nos momentos finais da obra, teve um desentendimento com o pároco da catedral e deixou um painel pela metade e outro sem pintar.
Agora, 50 anos depois da conclusão das pinturas da igreja, essa arte está precisando de restauração, que fica em R$ 668 mil. De acordo com o padre José Mário, pároco da catedral de Jacarezinho, já existe um projeto aprovado pela Lei Rouanet, faltando apenas alguma empresa que se interesse em bancar a restauração e depois ter a maior parte do dinheiro resgatada por meio de incentivos fiscais.
''O valor artístico dessas pinturas é enorme, elas realmente precisam de restauração, que deve ser feita com todo o capricho'', destaca o artista sacro.(W.S.)





