Como outros tantos garotos que cresceram na Folha, Ivo Benedito de Souza, o Marafa, foi, no começo, entregador de jornal para assinante. Ingressou em 1960, passou a trabalhar na Expedição, como pacoteiro; subiu para a Oficina como ‘‘provista’’ (tirador de provas das linhas de composição feitas nas linotipos). Ivo lembra: ‘‘Isnard Cordeiro, o Cebolinha, também era provista, e era briguento...’’Dorico da SilvaUniãoIvo: onde ia um, ia o bando inteiro da Oficina
Ivo passou um ano como provista, antes de passar à Paginação. Aí aprendeu com o ‘‘professor’’ Leitão (Antônio Gomes Sobrinho). Leitão era bravo, gritava muito e, quando chegou a chefe da Oficina, suspendeu Ivo por três dias. Porém, Ivo tinha aprendido a paginar. Valeram os gritos do chefe. De pulo em pulo, Marafa chegou a chefe de Expedição e quando o jornal passou ao sistema off set, era encarregado da Oficina.
Após entrar no sistema off set, o jornal - recorda Marafa - saiu misto (usava composições a frio e quente) ‘‘durante muito tempo’’. As páginas do noticiário regional, os classificados e editais eram compostos na linotipo, mas paginados conforme o novo sistema, caso contrário não poderia ser impresso. Desse modo ficou até 1976, quando se mudou para o chamado Departamento de Arte, ‘‘na verdade o setor industrial’’. Nesse departamento ele topou uma briga... e ganhou.
Os anúncios classificados, recorda, ‘‘sempre foram uma briga’’ . No começo eram apenas ‘‘uns quadradinhos’’, como Indicador Médico. Quando foi aumentando a quantidade desses anúncios, ‘‘o pessoal tinha dificuldade de lidar com aquilo’’, porque não havia o hábito de trabalhar conforme uma programação. Se um anúncio era programado para sair vários dias, o encarregado da paginação precisava sair procurando o anúncio já publicado, para não deixar o classificado fora da edição prevista.
Então, Ivo criou o formato, que ainda é usado, de separar os anúncios por assunto. Assim, os anúncios de vendas de automóveis saem agrupados, até por marcas; o mesmo acontecendo com casas, terrenos, ações de clubes. ‘‘Antes era tudo misturado. Criei o formato para facilitar meu trabalho’’. Ele ficou encarregado dos Classificados, tanto na Oficina quanto no Balcão.
Hoje, apesar dos computadores, os Classificados têm que ser paginados por centímetro. ‘‘Continua a mesma dificuldade de antes, para o paginador, porque anúncio classificado não é diagramado’’, observa Ivo, que agora tem profissão de nome mais condizente com a modernidade: fotolitógrafo.
Mas o fotolito - comenta - também está evoluindo. No começo da off set, as páginas e as fotografias eram fotolitadas. As fotos eram separadas e depois montadas no fotolito, na fotomecânica. ‘‘Agora vai tudo para o computador e o fotolito sai prontinho. Pode-se ver as páginas no vídeo, e depois de reveladas. Não existe mais nem quarto escuro para revelação. Esta é feita por máquina. Acabou a revelação manual’’.

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