A evasão populacional e a falta de auto-estima provocaram, há três anos, uma forte reação de líderes na cidade de Ivaiporã. Nascia, em 97, pelas mãos de empresários e autoridades locais, com a orientação técnica de consultores do Sebrae/PR, o projeto ‘‘Ivaiporã, um Grande Negócio.’’
Vencendo o pessimismo, somando forças e investindo em novas idéias, o programa não só deu certo, como também se estendeu a outros municípios da região. Como consequência deste trabalho, surgiram dezenas de empresas, principalmente na área da agroindústria, gerando a curto prazo, mais de oitocentos empregos diretos, além de injeção de recursos no comércio de Ivaiporã.
O consultor do Sebrae/PR, Marcos Aparecido Batista, diz que, na época, o pessismo e o comodismo levaram muita gente embora e até espantavam novos investimentos para a cidade. ‘‘Promovemos um seminário para uma discussão aberta e ampla sobre todos aspectos desta situação, que trazia prejuízos a todos’’, lembra.
O principal problema diagnosticado na avaliação de líderes de todos segmentos comunitários, era a necessidade de ampliação das oportunidades de trabalho e geração de renda. A partir da constatação, o projeto desenvolveu-se em novos seminários, onde foram discutidas formas de incentivos para atrair novos investimentos, necessidade de mudanças na legislação específica, e uma série de idéias para viabilizar a retomada deste processo.
Já no primeiro ano do projeto, conforme opina o prefeito Luiz Pereira (‘‘Padre Luisinho’’), parece que houve um despertar coletivo. ‘‘Até mesmo comerciantes que haviam ido embora voltaram a morar e trabalhar em Ivaipor㒒, lembra o prefeito, contando que, gradativamente, foram surgindo novos interessados em investir na cidade.
O primeiro passo do projeto foi a divulgação externa das potencialidades de Ivaiporã, no que se refere às matérias-primas disponíveis e ao perfil de um mercado consumidor emergente. ‘‘Centramos nossas propostas de captação de investimentos em áreas pesquisadas e com a certeza de viabilidade futura’’, assinala o consultor do Sebrae.
Um dos primeiros negócios concretizados foi a implantação de uma filetagem de tilápia, através do Frigorífico Gut-Fishe. ‘‘A potencialidade da piscicultura na região é extraordinária e conseguimos aprovação de recursos através do Proger-Programa de Geração e Renda’’, relata Marcos Batista. De acordo com ele, o Gut-Fishe já está comercializando 60 toneladas/mês de filé de tilápia. Atualmente, apenas 30 produtores engordam e entregam sua produção para o frigorífico, mas a meta é chegar a 132 produtores.
O programa desenvolvido com apoio do Sebrae gerou em Ivaiporã novas empresas nos ramos de marmoaria, pré-moldados de cimento, reciclagem de plástico, serralheria, ração para peixe e muitas outras. O Município também conquistou uma unidade da Campagro (comercialização de cereais e fabricação de sementes), que está implantando sua sede em uma área de 24 mil metros e a ampliação dos negócios da Coamo no Município. A cooperativa está construindo mais 3.200 metros em uma nova área próxima da Sorcep.
‘‘Com uma nova mentalidade e disposição das lideranças os resultados surgiram de forma natural e desencadearam reflexos em quase todos os setores’’, afirma Lourenço Vendrameto, secretário de indústria e comércio. Ele aponta como exemplo, os investimentos realizados nos hospitais e clínicas da cidade, que ampliaram e reformaram suas instalações, além da aquisição de modernos equipamentos. Outro aspecto positivo, segundo ele, são os índices da construção civil e a valorização imobiliária na cidade.

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