Italiano viu lacuna no mercado
Quando chegou ao Brasil, há três anos, e percebeu que o mercado de molhos prontos artesanais era praticamente inexistente, o italiano Giovanni Luchini repetiu o raciocínio clássico do vendedor de sapatos que se alegra ao desembarcar num país onde todos andam descalços. Se os molhos artesanais ainda são pouco difundidos por aqui, é sinal de que existe um enorme mercado consumidor, pensou. Depois de fazer algumas consultas às prateleiras de supermercados, Luchini não teve dúvidas: montaria, no Brasil, uma empresa capaz de produzir a legítima salsa italiana.
O início foi tímido, e a notícia do novo molho brasileiro saiu da modesta cozinha de Luchini para circular apenas na sua roda de amigos mais próximos. Com o tempo, a combinação diferenciada de temperos, o uso de produtos frescos e sem corantes, conservantes ou outros disfarces fez crescer o número de encomendas. Formada a clientela piloto, Luchini precisava, então, colocar seus planos iniciais em prática.
A vinda para Curitiba - Luchini estava morando no Rio de Janeiro - coincidiu com o encontro de sua primeira sócia, a ex-funcionária pública Maria Emília Baggio Monclar. Sem capital suficiente, mas com muita força de vontade, como ela própria se define, Maria Emília deixou seu emprego de mais de 17 anos numa das secretarias do Governo para buscar um terceiro sócio, capaz de tornar possível a criação da SaborItália Comércio e Indústria de Alimentos.
Da união com Patrick Speck surgiu então a possibilidade de utilizar parte da estrutura da Panaísa, empresa familiar de cogumelos situada em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Apesar das dificuldades - ainda existentes - para obter os financiamentos, a principal parte da receita já estava pronta.
TiposOs seis tipos de molhos - Ortolana (tomate), Salsa de Funghi (tomate com cogumelos), Salsa madeira com Funghi, Funghi Trifolati (cogumelo temperado), Ragu di Carne (carne moída) e Ragu di Carne com Funghi (carne com cogumelos) e os dois tipos de patês - Patê de Funghi e Salsa di Frantoio (azeitonas pretas) - são produzidos diretamente por Luchini, que supervisiona a equipe de cinco funcionários que a empresa mantém. Por enquanto, os produtos estão sendo vendidos apenas nas lojas de uma grande rede de supermercados de Curitiba.
Os produtos são cuidadosamente embalados a vácuo e em vidros esterilizados, e os proprietários garantem que não recebem a adição de corantes ou conservantes. Os preços dos potes de 240 gramas e 330 gramas variam entre R$ 3 e R$ 3,50. (C.P.)





