Segundo pesquisas realizadas pelo professora Estela, a grande maioria dos dekasseguis vai apenas ao Japão para trabalhar. O sonho deles é voltar e se fixar no Brasil. ‘‘Eles dizem que para viver o Brasil ainda é melhor’’, afirma.
Exceção à regra, o descendente de italianos Laerzio Scandelari trabalhou como dekassegui durante seis anos e garante que, se dependesse dele, ficaria mais tempo no Japão e talvez nem voltasse mais para o Brasil. Casado com Margareth, uma descendente de japoneses, Laerzio diz que se rendeu à vontade e às necessidades da esposa e resolveu retornar.
O casal foi trabalhar no Japão em 1990 e voltou a Londrina em julho do ano passado. ‘‘Fomos com o objetivo de ficar três anos, conhecer uma nova cultura e nos capitalizarmos um pouco’’, lembra. No Japão, foram surgindo novos interesses, principalmente por parte de Laerzio. ‘‘Eu me adaptei mais ao País do que ela’’, afirma.
Ele conta que foi trabalhar somente com japoneses e quase não tinha contato com os brasileiros. Este fato, ressalta, foi benéfico para aprender mais facilmente a língua e também os costumes nipônicos. ‘‘Eu observava muito como eles comiam, fumavam, falavam, enfim, todos os detalhes’’, relata.
Na sua opinião, os dekasseguis deveriam ter a humildade de tentar entender antes o povo oriental e seus costumes para depois falar do Brasil. ‘‘Entendendo o País deles, com certeza eles, os japoneses, vão querer escutar sobre a nossa cultura’’, acredita.
MudançasJá Marco Antonio Oribe, 23 anos, diz que, é válido trabalhar como dekassegui, mas ainda prefere o Brasil para morar. Ele ficou no Japão de 1993 até dezembro do ano passado. ‘‘Financeiramente compensa, mas o problema é que a gente deixa tudo para trás e, quando volta ao Brasil, nada é mais a mesma coisa’’, lamenta.
Ainda em fase de readaptação ao Brasil, Marco Oribe diz estar sentindo falta das velhas amizades. Ele vê desvantagens também no lado profissional. ‘‘A gente fica muito desatualizado’’, observa. (L.O.)

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