O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que se transformaria no mais importante movimento social brasileiro, nasce no Oeste do Paraná, no início da década de 80, quando centenas de propriedades rurais são submersas pelo lago da Hidrelétrica de Itaipu.
Preocupados com o número de famílias sem ter onde morar e trabalhar, a Pastoral da Terra da Igreja Católica e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais decidem realizar um cadastramento para saber quantos sem-terra há na região. Como muitas pessoas de outras regiões do Estado e do País comparecem ao cadastramento, as duas entidades percebem que precisam ampliar o campo de atuação.
Um dos fundadores do MST, Miguel Sávio, lembra que o movimento e a igreja ficariam dois anos em negociação com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), para a instalação das famílias retiradas das margens do Rio Paraná. Cansados da morosidade, eles decidem invadir áreas não-produtivas para pressionar o órgão. A primeira área ocupada é a Fazenda Mineira, localizada entre os munícipios de São Miguel do Iguaçu e Medianeira.
Já em 1985, o MST assume outras atitudes que se tornariam suas características: manifestações e paralisações como forma de reivindicação. Em 31 de agosto, cerca de 4 mil bóias-frias, arrendatários e trabalhadores rurais reúnem-se diante da Catedral de Cascavel, na Marcha da Panela Vazia. O objetivo é alertar o governo sobre a necessidade de implantação da reforma agrária.

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