No início da década de 20, a oficina de ferreiro da família Oliveira, em São Sebastião da Grama, em São Paulo, divisa com Minas Gerais, ia de vento em popa. A pequena empresa fazia de ferradura a ferragens para carroça. Até que veio a crise de 1929, quando o preço do café despencou e os clientes, grande parte cafeicultores, reduziram as encomendas, os lucros escassearam e a família percebeu que chegara o momento de mudar de atividade e de ares. Foi assim que em 1934 a família desembarcou em Londrina e montou a Tipografia Oliveira, perto da Pensão Paulista.
Isolírio Correia de Oliveira, na época com 23 anos, foi o primeiro gráfico da cidade. A tipografia foi montada numa casa na Rua Mato Grosso onde, tempos depois, seria o Foto Estrela. Em 37 a tipografia seria instalada definitivamente na Rua Mato Grosso, 209, onde funcionaria até 1966, quando foi vendida. Seu Isolíro se recorda que os melhores clientes eram os comerciantes.
A gráfica imprimia de cartão de apresentação, bilhete de rifa a talões de notas. A máquina usada na impressão era alemã, a Príncipe P III, e funcionava a pedal ou a eletricidade. ‘‘Mas naquele tempo não tinha energia elétrica em Londrina então o jeito era pedalar’’, lembra Isolírio, ‘‘o rapaz que trabalhava com a gente suava tanto pedalando a impressora que a camisa dele ficava encharcada. Era de dar pena’’.
EstatutoE foi pedalando na máquina Príncipe P III que, em 1946, foi impresso o primeiro estatuto da Associação Comercial de Londrina. ‘‘Deu um trabalho danado porque, naquele tempo, os tipos com as letras eram colocados um a um e não podia ter erro. Além disso, no mesmo período, nós estávamos imprimindo o jornal ‘‘Paraná Norte’’ e como tínhamos poucos tipos, a impressão era muito demorada. Mesmo assim ficou um bom trabalho, muito elogiado’’. Entre os principais clientes ele lembra das Casas Fuganti. ‘‘De uma vez só eles encomendaram 500 talões’’.
Viúvo desde 79 quando morreu a mulher Adélia Righi Oliveira, Isolírio criou três filhos na cidade. Duas filhas se formaram professoras e o filho virou farmacêutico. Isolírio, contemporâneo de Dona Carolina da Pensão Paulista, diz que, de Londrina, só tem boas lembranças. Morando ainda na mesma casa em que funcionava a tipografia, a única coisa que reclama é da aposentadoria. ‘‘Trabalhei a minha vida toda, sou o primeiro gráfico de Londrina, e fui aposentado com um salário mínimo’’, lamenta o pioneiro. (C.O.)

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