Iridium foi um fracasso
O montanhista Valdemar Niclevicz é um dos 27 mil clientes do projeto Iridium, entre os 6 bilhões de habitantes do planeta. O investimento de US$ 5 bilhões tende a ser transformar num dos maiores ‘‘micos’’ da economia mundialO projeto Iridium nasceu há pouco mais de dois anos com a proposta de acabar com todos os limites da telecomunicação mundial. Com um aparelho de telefone similar a um celular, o usuário pode falar com sua família ou empresa mesmo estando no meio do deserto do Saara, nos confins da floresta Amazônica ou no pico de uma montanha no Himalaia, como fez o alpinista Valdemar Niclevicz há cerca de um mês, quando escalava o K2. Mas o volume de investimentos feitos pelas empresas controladoras, o custo do equipamento e preço do serviço ao usuário inviabilizam o Iridium, que acaba de pedir concordata nos Estados Unidos.
Com um investimento mundial de US$ 5 bilhões, todas as metas do Iridium ficaram aquém da estimativa inicial. Somos quase 6 bilhões de habitantes no planeta, mas apenas 27 mil pessoas usam o Iridium, o que representa 0,0004% da população.
A estimativa feita no Brasil era de atingir a marca de 7 mil usuários nos seis primeiros meses de ativação no País, em julho deste ano. Mas são apenas 2,4 mil brasileiros que compraram o Iridium. ‘‘Os problemas econômicos e o atraso na liberação dos equipamentos foram responsáveis pela quantidade de usuários’’, afirmou o diretor de Marketing da Iridium do Brasil, Ricardo Woitowicz.
A ramificação nacional e latina-americana do Iridium é formada pelas empresas Inepar (com participação de 25,1%), Motorola (24,9%), a Iridium Itália (grupo Set, com 10%) e a Iridium Andes Caribe (grupo de investidores venezuelanos, com 40%). A comunicação via satélite no País se dá através de um ‘‘gateway’’ (portão de entrada) instalado no município de Santa Cruz (Região Metropolitana do Rio de Janeiro), inaugurado há um ano e meio.
A Iridium Latino Americana investiu US$ 50 milhões no ‘‘gateway’’ para integrar e viabilizar a comunicação, que é feita graças a 66 satélites que se conectam às estações terrestres. A Motorola é a maior investidora da Iridium, seguido do grupo japonês Nipon Iridium Corporation. As duas maiores empresas esperam e torcem para que o projeto global de telefonia se viabilize com o tempo.
Hoje, o usuário paga US$ 3 mil para comprar o aparelho e ter acesso à telefonia via satélite, contra uma habilitação gratuita e um aparelho que custa US$ 100, no caso do celular. Para falar durante um minuto em um telefone Iridium é necessário desembolsar US$ 3 – quase R$ 6,00. Em um celular, o minuto falado custa US$ 0,10, ou quase R$ 0,20. (C.M.)

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