Coragem e força de vontade. É o que acontecendo em Iporã, a cerca de 50 quilômetros de Umuarama. Com uma população de 16,5 mil habitantes, Iporã é o primeiro município da região a desenvolver um grande projeto de exploração do turismo ecológico, a partir do aproveitamento dos ricos recursos naturais disponíveis. Há pelo menos dois pontos de referência: o Parque Primavera, localizado no perímetro urbano, e a Corredeira dos Índios, um trecho de 1,5 mil metros de leito do Rio Piquiri, formado por pequenas ilhas, cachoeiras e vegetação típica da região que chama a atenção dos visitantes pela exuberância.
A preocupação com a preservação do meio ambiente em Iporã não acontece por acaso. Desde o início de sua primeira gestão, há cinco anos, a prefeita Maria Aparecida Zago Udenal (PSDB) tem demonstrado essa tendência. Primeiro foi a restauração completa e urbanização de uma área de 24 alqueires de matas nativas, antes ameaçada pela ação de predadores.
O município buscou ajuda da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e conseguiu implantar ali uma série de melhorias. Além de quiosques, churrasqueiras, sanitários e quadras de vôlei de areia na entrada da reserva, a prefeitura construiu duas pontes e 1,6 mil metros de trilhas entre a mata, totalmente iluminada. O Parque Primavera recebe centenas de visitantes, principalmente nos finais de semana.
A partir daí, as ações voltadas ao ecoturismo não pararam mais. O desafio atual é concretizar um grande projeto que prevê a criação de infra-estrutura invejável às margens do Rio Piquiri, próximo à foz do Rio Jacaré, nos limites de Iporã.
‘‘Força de vontade é o que não falta’’, diz o secretário municipal do Meio Ambiente, Nivaldo Mattos, que responde também pelas secretarias de Obras e Agricultura. O projeto, além de preservar o meio ambiente, tem objetivo de atrair turistas de várias regiões.
A Corredeira dos Índios é o ponto ideal para receber turistas. Localizada a cerca de 26 quilômetros de Iporã, aquele trecho do Rio Piquiri ganhou esse nome porque no local, a partir das ilhas das Garças e das Pedras as águas do Piquiri formam redemoinhos e pequenas quedas d’águas com mais de 200 metros de largura, caindo sobre pedras até chegar à foz do Rio Jacaré.
São quase 2 mil metros de corredeiras, onde podem ser praticadas esportes aquáticos e radicais. A comprovação foi dada pelo vice-presidente da Confederação Brasileira de Caiaque, João Batista, que esteve em Iporã recentemente e se encantou com a beleza natural da Corredeira dos Índios. Tanto que a entidade já fez a doação de seis caiaques ao município, que servem para treinamento de atletas locais.
O próximo passo foi buscar suporte técnico através do Programa Nacional de Municipalização do Turismo, que desde então vem preparando o município para desenvolver projetos no setor. Desse ponto até a obtenção dos recursos não foi difícil.
A Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) encampou a idéia e, além de conceder ao município o Selo Embratur, também está garantindo os recursos necessários para a execução de uma série de obras, com acompanhamento do Conselho Municipal do Turismo.
O principal projeto é o Centro de Esporte e Lazer, que contará com lanchonete, campo de futebol suíço, quadras de areia, vestiários, 16 quiosques com churrasqueiras, sanitários, poço artesiano, área para estacionamento e até um portal de entrada, além de iluminação completa. Tudo isso dentro de uma área de 10 hectares, desapropriada pelo município. Dez quiosques já estão prontos, assim como o poço artesiano e os vestiários.
Segundo a prefeita, a intenção é concluir totalmente o projeto até o final de 2001. A prefeitura ainda planeja fazer o reflorestamento numa extensão de dois quilômetros à margem do Rio Piquiri.

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