Com cinema e muita criatividade, um dos espaço da Emater na Via Rural/Fazendinha está chamando a atenção dos visitantes para a importância de despertar o interesse pelo potencial do turismo rural e pedagógico da nossa região, com destaque para Rolândia. Em parceria com o ambientalista Daniel Steidle, da Fazenda Bimini, em Rolândia, - o espaço foi decorado com objetos antigos – como pilão e petecas feitas com palha de milho -, que rendem boas conversas sobre a sua utilização. No local, o público ainda pode assistir no "Cine Bem-Te-Vi" a filmes do Mazzaropi, um documentário, de 1935, sobre Londrina (de Otto Müller), ao curta-metragem "O Banho de Katy", entre outras produções autorias. Vale o registro de que as poltronas de cinema - feitas de imbuia – são originais do antigo Cine Rolândia, que chegou a ter 1.600 lugares na sua fase áurea antes de ser desativado.
Dedicando-se há 20 anos à educação ambiental, Steidle defende o aproveitamento do meio rural como uma "escola a céu aberto", unindo o conceito de turismo rural e pedagógico. "É preciso valorizar as pessoas da roça e o seu conhecimento baseado na experiência. Abandonar a ideia de que só o ensino formal é importante dentro duma predominante 'indústria do ensino'. Deve haver um equilíbrio entre o formal e o não formal", destaca o ambientalista.

Dentro desse processo de se valorizar as "raízes rurais" em uma sociedade cada vez mais urbanizada -, Steidle observa o cuidado de se preservar certas rusticidades que caracterizam esse meio. "É legal as crianças conhecerem pessoas que ainda utilizam o pilão no seu dia a dia ou que pelo menos ainda têm essa vivência para partilhar. Aliás, ter tempo para conversar com as crianças é algo cada vez mais raro e todos perdem quando isso não acontece. Nos sítios, ainda há um banco de madeira, na porta das casas, para conversar de forma simples e de um jeito bonito", cita. Segundo ele, das 1.000 propriedades rurais de Rolândia, 679 são de pequeno e médio porte, o que reforçaria a função social do meio rural e o potencial de aproveitamento desses locais como "salas de aula não formais".

Fantasiado, o ambientalista defende o aproveitamento do meio rural como uma "escola a céu aberto", unindo o conceito de turismo rural e pedagógico
Fantasiado, o ambientalista defende o aproveitamento do meio rural como uma "escola a céu aberto", unindo o conceito de turismo rural e pedagógico | Foto: Fotos: Marcos Zanutto



"LAVOURAS D´ÁGUA"

Em tempos em que a necessidade de se economizar água parece predominar na mídia e nas rodas de conversa, embora ainda faltem ações práticas inseridas realmente no cotidiano das pessoas, Steidle propõe uma reflexão pertinente sobre a preservação das "lavouras d´água". "Nada mais são do que preservar as matas para que a água possa se infiltrar adequadamente e 'recarregar' os lençóis freáticos. A gente sempre fala da economia de água, mas não paramos para pensar em como 'recarregar' aquilo que tiramos", alerta.

Com os solos cada vez mais compactados, que acabam tornando-se barreiras para esse reabastecimento dos lençóis freáticos, a ideia da "lavoura d´água' pode servir de um argumento a mais em defesa da preservação ambiental.

No "Cine Bem-Te-Vi" o público pode assistir filmes do Mazzaropi, um documentário sobre Londrina, de 1935, e o curta-metragem "O Banho de Katy"
No "Cine Bem-Te-Vi" o público pode assistir filmes do Mazzaropi, um documentário sobre Londrina, de 1935, e o curta-metragem "O Banho de Katy"
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