Investimentos mudam a cara da cidade
César AugustoBelinati: Londrina é exceção no BrasilInvestimentos mudam a cara da cidade
Folha - Como o senhor definiria Londrina em seu aniversário de 64 anos?
Antonio Belinati -Tenho colocado que Londrina está vivendo o melhor momento de sua história pelas transformações que estão sendo possíveis fazer agora. Por exemplo, dotar todos os bairros de asfalto. Londrina tem também um dos maiores projetos habitacionais populares do mundo. Não conheço uma cidade no planeta que tenha um projeto habitacional desse porte. Creio que, na proporção, Londrina é a que tem o maior volume de casas populares de todo o planeta. A cidade é bem servida de hospitais, rede hoteleira, saneamento. Paris, por exemplo, tem 78% de suas casas servidas por rede de esgoto. Estamos em parceria com a Caixa Econômica e Sanepar, com 1.500 operários implantando rede de esgoto, e teremos, dentro de três ou quatro meses, 82% das residências servidas por sistema de esgoto. Proporcionalmente, mais do que Paris.
Folha á- Mas os problemas urbanos resistem...
Belinati - Quando se fala em crescimento, a questão do trânsito sempre se destaca. Estou indo para 32 anos de mandato eleito pelo povo e é primeira vez que se faz tanto investimento na área de trânsito. Milagre é lógico que não vamos conseguir. Mas temos buscado o ponto ideal dentro daquilo que se imagina como o correto para a cidade. Londrina foi planejada pelos ingleses que imaginavam um povoado de no máximo 50 mil habitantes. Como aqui seria apenas um povoado, nossas ruas são estreitas. Você não consegue encontrar as alternativas ideais, porque o traçado antigo apresenta essa dificuldade. Nossa expectativa é de que, com o crescimento, possamos ir abrindo avenidas em volta da cidade para o tráfego fluir.
Folha - O trânsito central tende a piorar, já que ainda se continua construindo muitos edifícios na área...
Belinati - Essa colocação é discutível. Até este momento, alguns têm ainda a vaidade de querer construir prédios no centro. No entanto, Londrina, em termos de moradia, já tomou os ares de uma Nova York, São Paulo, Rio de Janeiro ou Curitiba. Quando a cidade é nova, a pretensão da maioria das pessoas é de morar bem no centro. Com o crescimento, a população que tem um pouco mais de recursos vai se afastando da área central. Estou convencido de que, a partir de agora, vamos ter um impulso muito grande no sentido de ter condomínios residenciais em regiões mais afastadas.
Folha - Os empresários já admitem que 99 será um ano de crise. Londrina entrará no novo milênio em recessão?
Belinati - É evidente que, agora, tudo caminha para um aperto como nossa geração nunca viu. Muitas vezes as pessoas estavam até bem. Você pegava um fazendeiro reclamando, um comerciante lamentando a situação. Ainda assim, no final do ano o empresário comprava mais uma loja e o fazendeiro somava mais uma grande propriedade ao seu patrimônio. Parece que agora o fazendeiro, o industrial, o lojista, o trabalhador, todos vamos sofrer na pele essa crise.
Folha - Essa provação deverá durar o ano todo?
Belinati - Especialmente depois de fevereiro. Em dezembro vive-se aquela euforia. Janeiro é o mês do aviso prévio e fevereiro é o grande reflexo. A loja vai faturar menos, não vai ter para quem vender porque não há dinheiro circulando, vai diminuir seu quadro de balconistas. A indústria, produzindo menos também vai demitir. A indústria em crise, o comércio em crise, a receita da prefeitura e dos governos estaduais também vai ser bem menor. Temos que nos preparar para o pior.
Folha - E o que seria o pior para a adminstração?
Belinati - Você ter uma despesa mínima de salários e custeio e não ter receita suficiente. Neste momento, a crise ainda não começou. Talvez estejamos vendo apenas um trailer de como poderá ser a crise. Vamos ver aqui alguns prefeitos sem condições de pagar seus funcionários - como já está acontecendo. Imagine, então, quando recrudescer essa crise. Se o prefeito tiver uma queda de receita ele terá dificuldades para fazer as obras e até investir na área social. Acho que vem uma quebradeira muito grande no nosso País. É preciso muita cautela. Apesar de tudo, Londrina foi no ano de 98 uma exceção, pagamos rigorosamente em dia o salário dos nossos servidores, o 13º deste ano já foi pago, fornecedores estão relativamente em dia. Obras estão acontecendo em todas as regiões da cidade.
Folha - Como ficará a saúde financeria da prefeitura?
Belinati - Estou muito confiante porque, em que pese a crise, Londrina será um município diferenciado no Brasil no ano de 99. Temos dinheiro guardado, vamos fazer algumas obras importante. A cidade de Londrina não vai entrar nessa recessão em termos de obra pública. Os recursos que temos em caixa deverão ser utilizados. Deus não quer que você fique com o dinheiro parado. O dinheiro tem que girar, fazendo isso, embeleza a cidade, dá qualidade de vida para a população e dá emprego também...
Folha - Quais projetos estão na fila?
Belinati - Nossos planos vão desde esgoto, moradia e atração de investimentos até ecologia. Se algum empresário quiser investir aqui, não vai ter recessão não. O município vai cumprir a parte que lhe cabe. Vamos comprar terreno e oferecer os incentivos cabíveis. Também vamos construir quatro grandes centros comunitários e as Ruas da Nossa Gente, com estrutura de multisserviços. Vamos reformular o Calçadão, que está deteriorado. Investir na iluminação de alguns pontos da cidade. Londrina é uma cidade escura. Nossa intenção é dotar a cidade de uma luminação diferenciadam, com vários padrões. Londrina, que já é uma cidade bonita, começa a ganhar em 99 um aspecto de modernidade ainda maior com a implantação destas novas plantas de iluminação pública. Teremos para cada área considerada importante urbanisticamente uma proposta própria de iluminação. (R.F.)





