Investimentos atingem US$ 17 bi
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Miriam Karam Especial para a Folha 
O grande salto industrial do Paraná, que assistimos nos últimos anos, já trouxe ao Estado quase US$ 17 bilhões em investimentos da iniciativa privada. E isso traz também uma nova sensação de segurança à economia, que ainda na primeira metade desta década dependia em muito do agronegócio - representava 40% do PIB. Esse setor apresenta grande vulnerabilidade, uma vez que é extremamente sensível às mudanças do clima, à oscilação dos preços internacionais e à política agrícola do governo federal. O Estado não tem margem de manobra neste caso, diz o economista Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do Núcleo de Estudos Econômicos do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social).
Das 160.770 empresas em atividade no Paraná, 73.588 foram criadas nos últimos quatro anos. É importante lembrar que quase metade de todos os investimentos industriais feitos no Estado no ano passado ocorreram durante o pior momento da crise financeira que o Brasil enfrentou em 1998.
Segundo análise de Gilmar Lourenço, do Ipardes, o Estado soube aproveitar um momento favorável para a economia brasileira, iniciado em 1995. A estabilidade do Real facilitou a atração dos novos investimentos, enquanto a necessidade de descontração industrial - do eixo São Paulo, Minas e Rio - tornava o Paraná mais atraente.
Afinal o Estado tem boa infra-estrutura e está bem localizado no chamado grande eixo do Cone Sul, que se desenha entre São Paulo e Buenos Aires. No Estado paulista, tudo é mais caro - infra-estrutura e mão-de-obra, sem contar que o movimento sindical, muito atuante por lá, assusta os empresários.
Mas o analista do Ipardes lembra que o crescimento industrial do Paraná não deve continuar no mesmo ritmo, até porque o ciclo de investimentos pesados no Brasil já acabou. Segundo ele, o que deve acontecer é a complementação interna do ciclo, o que inclui a modernização do agro-negócio - hoje sua participação na economia estadual caiu para 32% do PIB.


