Inverno quente
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Talvez esteja chovendo enquanto você lê esta matéria. É que a onda de calor da última semana está para terminar, graças a uma intensa frente fria vinda do Rio Grande do Sul. A ordem, portanto, é aproveitar o ''veranico'' fora de hora até a volta do frio.
''Nem parece que as férias acabaram'', diz o sorveteiro José Leite, que trabalha há 12 anos no Parque Barigui. Ele se espanta com a grande quantidade de pessoas que transitam pelo local em plena manhã de quarta-feira. E comemora o aumento nas vendas. ''Em um dia de semana normal, vendo R$ 100 em picolés. Com esse calor, tenho vendido até R$ 300.''
De férias do trabalho, as amigas Michele Oliveira e Elisane Affornali também foram flagradas no Barigui. ''Entre o calor e o frio, com certeza prefiro o calor'', garante Michelle. Já Elisane desfruta do ''melhor de dois mundos''. ''Durante o dia está quente e a gente vem ao parque. Mas como à noite tem feito um friozinho, também dá para curtir um vinho, um fondue.''
No Centro, o figurino mais leve predomina, com direito até a blusinhas e decotes. ''A gente tem que aproveitar esse clima abafado para ficar mais a vontade, né?'', justifica a vendedora Elisandra Pereiram, em modelito de verão.
Em uma loja de roupas e calçados, outra vendedora, Daniele Bueno, conta que a procura por blusas de mangas curtas e sandálias abertas já começou. ''As jaquetas estão paradas no estoque'', afirma.
De olho nessa ''entressafra'', a estudante Amanda Weber corre atrás de promoções. ''Agora é a hora de comprar as roupas de inverno do ano que vem'', brinca. Carregando um casaco grosso, ela se queixa das temperaturas instáveis de Curitiba. ''Moro na Região Metropolitana e saio de casa às 6h30 todos os dias. Nunca dá para saber como vai ficar o tempo.''
No calçadão da Rua XV, o movimento só não está bom para os bares. Mas, neste caso, o ''culpado'' nada tem a ver com as condições climáticas. ''Perdemos até 30% dos clientes com essa Lei Seca'', lamenta o garçom José Tomás. Chope, agora, somente perto de casa.


