Diversos tipos de manifestações registrados em imagens feitas por fotógrafos de Curitiba são o tema do novo trabalho do artista visual Tom Lisboa. Característico por inovar em suas exposições, o artista apresenta agora ''Tudo o que há é o que estava lá''. Até o dia 26 deste mês ele colocará cinco fotos por dia em diferentes lugares como o Palácio Iguaçu, a Praça Santos Andrade, a Rua XV de Novembro e o Museu Oscar Niemeyer. Quem passar pelo lugar pode admirar a obra e levar a foto para casa. São trabalhos feitos por fotojornalistas de oito veículos de comunicação que circulam na Capital. Umas das imagens escolhidas foi publicada na Folha de Londrina, em 1998, feita por Leandro Taques.
O artista fez um minucioso trabalho de pesquisa. Ele foi até a Biblioteca Pública por sete vezes e em cada uma delas ficou cinco horas pesquisando jornais. Após a escolha, começou a reelaborar digitalmente as fotografias, retirando delas as pessoas. As figuras dos personagens são representadas com sombras em branco, como simbolismo de que elas não estão mais lá, ligado ao tema da exposição.
Este é o quinto ano consecutivo que Lisboa cria intervenções urbanas em Curitiba. Todos os trabalhos foram premiados. Depois de ocupar 20 outdoors em Ficções Urbanas (2004), instalar polaroides (in)visíveis (2005) em pontos de ônibus, espalhar as molduras coloridas do Projeto Cinematógrafo (2006) em diversos lugares da cidade e utilizar os parques como cenário para Blow up (2007), chega a vez de ''Tudo o que há é o que já estava lá''.
''Faço intervenções que não deixam rastro no lugar. Deixo as fotos em lugares visíveis mas que não atrapalham as pessoas que passam por ali'', explica Lisboa. Uma das últimas intervenções foi realizada na Praça 19 de Novembro. Minutos depois, quando voltou ao local, uma das três imagens já não estava lá. ''Eu acho isso bacana, pois alguém se apropria do trabalho e coloca em algum lugar que não planejei. Ele sai do espaço urbano e vai para outro espaço que não conheço. É algo além do meu trabalho'', conta.
A exposição funciona como uma galeria a céu aberto. Em uma galeria normal as peças são vendidas. Neste trabalho são de graça.
''O fotojornalismo fixa o momento do que acontece na cidade e eu quis devolver este material para Curitiba'', diz Lisboa. Há alguns dias o artista fez três intervenções em frente ao Palácio Iguaçu. Quando foi colocar a última uma mulher se aproximou para devolver uma das fotos. Ela achou que ele havia esquecido o material na calçada. No final, a mulher ficou feliz em saber que poderia levar a obra para casa. ''O que tem me agradado em 'Tudo o que há é o que já estava lá' é esta sobreposição de intervenções: a urbana, a minha sobre as fotografias de outros fotógrafos e o próprio conteúdo de cada foto, que remete a ações realizadas por anônimos na capital paranaense'', explica Lisboa.
O artista pretende realizar trabalhos como este pelo menos uma vez por ano, mas sempre com um enfoque diferente. Este é um compromisso que o próprio Lisboa tem. Ele utiliza materiais baratos para a confecção das obras. No trabalho atual foram gastos R$ 250.
A fotógrafa Christina Araújo estava passando pela Rua XV de Novembro quando se deparou com uma das fotos próxima ao bondinho. Admirou a obra e resolveu levá-la para casa. ''Peguei pois sou fascinada por obras de arte. Vou colocar na sala junto com outras obras de arte que tenho'', explica.
Lisboa fica feliz em saber que o trabalho que realizou não será jogado fora e fará parte da vida das pessoas. ''Sou desprendido das minhas obras. Pode ser que na casa da pessoa o material renda novas histórias'', comenta Lisboa.

SERVIÇO
- Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas no site www.sinTOMnizado.com.br/tudooqueha.
- Locais da intervenção: Praças Santos Andrade, Osório, Generoso Marques e 19 de Dezembro, Bondinho da XV, Rua XV de Novembro, Palácio Iguaçu, Prédio da Reitoria, Museu Oscar Niemeyer, Câmara Municipal, Rua 24 Horas, Catedral Metropolitana, Avenida 7 de Setembro e Passeio Público.

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