Internet: uma nova aliada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de setembro de 2013
Bruna Quintanilha<br>Equipe Bonde 
Lápis, caderno, Facebook, Youtube... é assim que muitos estudantes têm se preparado para provas e vestibulares nos dias de hoje. Vista como vilã por muitos pais, a internet se transformou em uma ferramenta a mais na hora de estudar e deve ser aproveitada ao máximo, segundo especialistas.
A estudante Johicy Parra, de 19 anos, é um bom exemplo de como essas ferramentas podem auxiliar na hora de estudar. Ela fez cursinho por um ano e meio e acaba de ingressar no curso de Engenharia Ambiental da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Segundo Johicy, para se preparar para o vestibular ela estudava de três a quatro horas por dia, sendo que quase metade do tempo pela internet.
"Sempre acessava jornais on-line e sites de notícias. Além disso, fazia simulados e exercícios em sites de cursinhos e portais. Assistia também algumas aulas disponíveis no Youtube, sempre focando nas matérias específicas", conta.
Para Johicy, as redes sociais, apesar de distraírem bastante os alunos, também podem ajudar já que os jovens passam quase que o dia todo conectados às redes. "Há vários perfis que postam conteúdos e isso faz com que você aprenda sem querer. Mesmo quando não está focado acaba assimilando alguma coisa. É uma oportunidade a mais de aprender".
A professora de Educação à Distância do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e mestre em formação continuada em ambientes visuais de aprendizagem, Michele Simonian, acredita ser impossível pensar em educação nos dias atuais sem levar as tecnologias em consideração. "A internet tem sim muito a contribuir, principalmente em relação às redes sociais, que tiram um pouco o aluno da postura passiva".
Para ela, quando o aluno compartilha um conteúdo ou produz um trabalho por meio de um vídeo, imagem ou texto, que fica disponível na internet, ele também passa a ser disseminador de conhecimento, papel antes ocupado exclusivamente pelos professores.
De acordo com a professora, a aceitação dos alunos aos conteúdos digitais também é melhor, já que eles possuem grande familiaridade com o meio. "Hoje, vídeos, podcasts e imagens são novas formas de se apresentar um conteúdo. Na minha visão, não tem mais como as escolas ficarem a parte disso".
Motivação
O fator motivacional também é visto como um dos pontos fundamentais para se investir na educação pela internet, segundo o professor do Departamento de Línguas Modernas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Rodrigo Munhoz, que é especialista em Engenharias de Mídias em Educação pelo Mestrado Europeu.
Para ele ainda não há comprovações de que as tecnologias de informação e comunicação fazem os alunos aprenderem mais. Porém, sabe-se que utilizar de recursos diferentes no aprendizado o torna mais prazeroso. "Aprender com sons, imagens e movimentos, jogos e aplicativos, assim como poder compartilhar as descobertas faz mais sentido, portanto tem impacto seguro na motivação".
Rodrigo lembra ainda que os recursos não ensinam por si só, mas que as todas as tecnologias podem ajudar nos estudos quando inseridas num projeto de educação. O ideal, segundo ele, é explorar todo o potencial da ferramenta utilizada para que ela possa auxiliar na construção de sentido, reflexão, ação e interação daquele conteúdo nas práticas sociais.
"São poucas as ferramentas concebidas originalmente para uso na educação. O uso das tecnologias na escola são sempre desdobramentos, derivações da utilização de um aparato que foi feito para outra finalidade, mas que se adapta como ferramenta para ensinar e aprender", explica.
Mas será que as escolas estão preparadas para essa nova maneira de educar? Para Michele Simonian, alguns profissionais podem ter mais dificuldade, por isso, é importante que estejam sempre em constante evolução. "É preciso se adaptar e superar esses novos desafios".
Já Rodrigo acredita que os professores têm que deixar o conservadorismo de lado e dá a dica: "Os jovens já nascem com as tecnologias e por esse motivo lidam melhor com a internet. Por outro lado, o professor é o mais experiente no tema estudado, portanto o uso mais produtivo [das novas tecnologias] é aquele que integre o bom manejo das ferramentas que os alunos têm somado à experiência do professor em sua disciplina".
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