INTERNET - Web cativa internautas da terceira idade
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de novembro de 2005
Roberta Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - Quando decidiu abandonar sua velha máquina de escrever Remington e se iniciar no mundo do computador para escrever um livro sobre envelhecimento, Maria de Lourdes Micaldas, 65 anos, acabou indo mais longe e decidiu criar um site dedicado à terceira idade. Há cinco anos no ar, o ''Velhos Amigos'' traz entrevistas, dicas de saúde e beleza, informações sobre direito dos idosos e uma seção sobre sexo na maturidade, chamada ''Vovô ama vovó'', que pretende quebrar tabus.
A presença dos ''coroas'' na internet está aumentando. Internautas com idade entre 55 e 64 anos passaram, em média, oito horas a mais conectadas na rede em agosto desse ano do que no mesmo mês em 2004, segundo o Ibope NetRatings.
Além de receber ajuda dos usuários na publicação de conteúdo, a proprietária do ''Velhos Amigos'' recebe diversos e-mails pedindo conselhos. ''São mensagens sobre solidão, casamento infeliz, pessoas que arrumaram um namorado novo e têm medo do que os filhos vão pensar'', conta Maria de Lourdes conhecida como Lou.
O site www.velhosamigos.com.br também tem uma sala de bate-papo, com mais de 14 mil cadastrados, que virou ponto de encontro dos internautas que querem se conhecer. Iracy Vianna Soares, 60 anos, por exemplo, começou a participar do chat quando a sala ainda era pequena. Por meio dela, conheceu dois namorados e vários amigos, com os quais mantêm contato até hoje.
O correio sentimental do site parece funcionar. Lou já recebeu mensagens de casais formados por causa da página, pedindo para excluir ambos os cadastros da seção porque estavam num relacionamento sério.
Ao contrário do que se pensa, quem já passou dos 60 anos não tem nenhuma aversão à tecnologia. ''Pelo contrário, eles se interessam por tudo que os ajudem a economizar energia para realizar outras tarefas'', explica a terapeuta ocupacional Maria de Mello.
Ela alerta que o idoso tem a mesma capacidade de aprendizado que um adulto. ''Às vezes, ele aprende até mais rápido por poder se dedicar mais à tarefa. Se não aprende, pode estar com algum problema de saúde'', diz. Para ela, a segregação feita a partir da idade não é saudável, mas a alternativa de um curso com outros interesses é válida.


