Acho que não vai demorar muito para eu comprar um capacete. Pretendo usá-lo no carro mesmo, porque não tenho moto. Mesmo assim, estou começando a achar o equipamento necessário. Mais uma freada brusca e saio voando pelo vidro. Ou alguém entra voando por ele, sei lá.
Parece exagero, mas ontem, a caminho do trabalho, me senti numa daquelas pistas de parque de diversão para carrinhos de choque. No primeiro sinaleiro, o primeiro susto. Um motociclista fura o vermelho e quase joga pelos ares uma mulher com uma criança no colo. Tudo bem, foi por pouco.
Algumas quadras à frente, parada num sinaleiro, tive a oportunidade de assistir de camarote a outra expriência, digamos, de ''quase morte''. Devidamente acompanhado de Norah Jones como trilha sonora, o tenebroso roteiro se desenrolou muito rápido (combinaria mais com o CD do AC/DC, mas não deu tempo de trocar para Highway to hell): um ônibus encostava, a uma certa distância do meio-fio, para os passageiros descerem, numa avenida movimentada. Uma moto veio 'voando', para ultrapassar o busão pela direita, e quase fez pinos de boliche com as pessoas que desciam para a calçada.
Cruzes. Quase chegando na Avenida Batel - e pensando em parar no Hospital Santa Cruz para ver se não estava com taquicardia devido aos recentes sustos - veio o terceiro episódio. Um Gol (aparentemente desprovido de freios e buzina) fura um sinaleiro. Desta vez, não teve jeito. Bateram. O Gol bateu de raspão na traseira de um Fox. Aquela celeuma básica, o motorista do Fox desce xingando, o do Gol, mais ainda. Como se tivesse algum motivo para reclamar, porque obviamente foi o culpado.
Depois dessa cena, que terminei de assistir pelo espelho retrovisor - infelizmente sem a trilha sonora do Macho Man do Village People -, consegui chegar sã e salva e a tempo da reunião.
E, apesar dos sustos, decidi que vou continuar assistindo às corridas de Fórmula 1, mesmo com o Fernando Alonso sem carro decente. A realidade das ruas é muito mais cruel e a gente nunca vê o safety car...

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