De acordo com o representante dos ciganos no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Cláudio Iovanovitchi, houve em 1996 a tentiva de se construir um Memorial Cigano, nos moldes das homenagens às culturas polonesas, árabes, ucranianas e outras, existentes em Curitiba. ''Levamos a idéia para um vereador, que apresentou o projeto e ele foi aprovado na Câmara, mas o Executivo vetou, alegando falta de interesse público'', explica. Na ocasião, Cláudio pensou em ingressar no Ministério Público, pedindo que as homenagens aos outros fossem retiradas, já que eles estavam sendo excluídos e teriam o mesmo direito. Mas os outros ciganos não concordaram, pois não queriam brigar.
Entretanto a idéia ainda existe. O Memorial da Cultura Cigana seria instalado na área de 30 mil metros quadrados da Rua João Dembinski. No projeto constam fontes, painéis, posto de saúde, teatro, lanchonete e loja, além do espaço para as tendas ciganas. ''É um lugar de apoio para os ciganos que estão de passagem pela cidade, além de um ponto turístico de visita para quem quiser conhecer a nossa cultura'', revela.
Mas antes de buscar apoio e verbas para a obra, vai ser preciso regularizar a situação do terreno. Área de Preservação Ambiental, o local foi cedido aos ciganos em setembro de 2004, pelo regime de comodato, por 90 dias. O período se esgotou, mas eles recusam-se a sair dali. ''Se tentarem nos tirar, vamos chamar a ONU'', alerta Cláudio, que cita outras dificuldades enfrentadas devido à situação irregular do terreno. ''Não consigo firmar convênios na área da educação, por exemplo, porque não há a posse da área, além de não poder ligar água e luz.''
Segundo ele, a situação só poderia melhorar se o poder público reconhecesse a importância cultural dos ciganos. ''Somos prejudicados de todos os lados. É lenda da cigana que rouba criancinha, é o cigano que faz isso, aquilo. Isso tem influência, sim. E são mitos que só geram exclusão'', critica. (M.M.)

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