No dia 28 de julho, o estudante Isidoro Vilczak Júnior, 20 anos, entrou para a história da unidade do Senai CIC. Ele é o primeiro aluno da escola a receber a medalha de ouro nas Olimpíadas do Conhecimento, que neste ano foi realizada em Porto Alegre. Esta é a maior competição de educação profissional das Américas. O jovem venceu na categoria Mecânica Geral. Além disso, o Paraná também conquistou uma medalha de prata em Eletrônica Industrial e uma de bronze em Tecnologia do Plástico.

Outra aluna que pode comemorar é Alana Cristina Lachowicz, 18. Ela foi uma das únicas mulheres a participar da competição. Na categoria que participou eram apenas duas entre diversos homens. A missão do Paraná agora é sediar as últimas 14 ocupações industriais da competição, entre 13 e 16 de agosto, realizada na Universidade Positivo, em Curitiba. No Rio Grande do Sul, o Paraná contou com 15 competidores disputando medalha em 11 ocupações industriais.

A FOLHA conversou com Isidoro e Alana para saber como foi participar das Olimpíadas do Conhecimento.

FOLHA - Como era realizado o método de avaliação na olimpíada?
ALANA - A minha categoria era a de fresagem, que mexe com máquinas que fazem dispositivos e peças para carros, tratores e indústrias, por exemplo. Na competição foram feitas provas em módulos. Cada dia era uma peça diferente que tinha que fazer. A gente não sabia quais as peças que deveriam ser executadas. Foram quatro dias de olimpíadas e seis peças produzidas.

ISIDORO - Comigo foram 24 horas de prova, divididas em quatro dias. A primeira delas foi a de habilidades intelectuais, onde fazíamos o planejamento do trabalho. Depois disso fui para as máquinas para começar a usinar as peças.


FOLHA - Qual as dificuldades que vocês enfrentaram na hora das provas?
ALANA - As peças não eram complicadas. O problema era que existiam muitos materiais para utilizar e não havia tempo. Mas não fiquei nervosa.

ISIDORO - Quando comecei fiz com calma para não errar. Porém, vi que não ia dar tempo. Então tive que confiar em mim mesmo. Dificilmente eu errava. Mas as provas eram muito difíceis. Algumas horas achei que não fosse conseguir. Nenhum dia eu terminei a peça completa. Me preocupei em usinar as medidas que seriam avaliadas. Eu fiquei mais nervoso na etapa estadual, já que é tradição o Senai CIC ganhar. Se eu não fosse premiado na fase nacional não seria tão ruim. Mas venci.


FOLHA - Durante quanto tempo vocês treinaram para as olimpíadas?
ALANA - Para a etapa nacional eu treinava de segunda a sexta, das 8 às 17 horas, durante oito meses. Era cansativo.

ISIDORO - Para falar a verdade, quando fiz o teste para entrar no curso de Mecânica eu nem sabia direito sobre a profissão. Então não estudei. Acabei passando. Depois de um ano e meio estudando peguei amor pela área. Quanto mais estudava mais queria aprender. Enquanto cursava via os outros meninos estudanto para as olimpíadas e ficava admirado. A partir disso tive vontade de participar.


FOLHA - Eram poucas mulheres participando?
ALANA - Na categoria de fresagem era só eu e mais uma. Mulheres não têm tradição de participar desta prova. Na etapa estadual eu era a única. Representar um estado inteiro é uma responsabilidade grande. Não ganhei medalha, mas o conhecimento que adquiri ninguém pode tirar.


FOLHA - Para uma mulher, qual a maior dificuldade em atuar na área?
ALANA - O mais difícil na fresagem é a parte de ficar carregando os dispositivos pois são pesados. Tenho que pedir ajuda para levantar.


FOLHA - Como foi a visita do vice-presidente da República, José Alencar, durante a etapa das provas?
ALANA - Ele fez uma visita enquanto a minha categoria estava realizando uma das provas. Como a fabricação das peças gera sujeira, as pessoas que passam ao lado da máquina podem ficar sujas. Então o avaliador disse que todos os outros concorrentes deveriam trabalhar da mesma maneira que eu, já que estava saindo menos detritos da minha máquina. Acabei virando exemplo para eles.


FOLHA - O clima era de muita disputa entre os concorrentes?
ISIDORO - Todo mundo foi bem companheiro comigo. A gente se ajudava. Dividi a minha máquina com um gaúcho e antes da prova conversei com ele para sermos uma equipe. Então dividimos as ferramentas e nos ajudamos.


FOLHA - Qual a importância do prêmio na carreira?
ISIDORO - É o principal prêmio da categoria. Sou o melhor do Brasil nesta modalidade. Batalhei muito para isso. Todos os calos nas mãos valeram a pena. Às vezes ficava 12 horas treinando. Foi difícil, mas seria mais complicado caso eu não gostasse da profissão. Cada dia que acertava uma peça me considerava um vitorioso.


FOLHA - O que pretendem fazer da carreira a partir de agora?
ALANA - Pretendo fazer faculdade em Engenharia Mecânica para trabalhar com planejamento e criação de peças.

ISIDORO - Também quero fazer Engenharia Mecânica para trabalhar com planejamento da usinagem ou no projeto de ferramentas. Recebi uma bolsa de estudos para fazer o curso em uma faculdade de Maringá. Mas não quero sair de casa. Então vamos tentar transferir a bolsa para Curitiba.


FOLHA - Por ter vencido a olimpíada, você já recebeu propostas de trabalho?
ISIDORO - Sim. Vários convites. Estou analisando bem as propostas. Eu desisti de um trabalho para me dedicar ao treinamento para os testes. Mas não me arrependo. O conhecimento que adquiri durante um ano e oito meses de treinamento eu iria conseguir em seis anos dentro de uma empresa. Na fábrica temos que focar no produto deles. Durante o treinamento eu vi várias maneiras diferentes de fazer as peças. Mesmo se eu não tivesse tirado o primeiro lugar já estaria satisfeito com o conhecimento que adquiri aqui.

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