Inspiração sob medida
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terça-feira, 27 de novembro de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Nas mãos da dona-de-casa Cecília de Oliveira, uma espécie de mágica acontece. O macacão velho se transforma em bolsa nova, a camisa pólo do marido vira uma regatinha com rendas cor-de-rosa para ela. A casa se transforma em oficina e a diversão em fonte de renda. A receita para essas transformações é o curso de Customização e Reforma de Roupas, oferecido pela Fundação de Ação Social (FAS) da prefeitura de Curitiba. Nele, Cecília e outras 20 alunas do bairro Atuba, integrante da Regional Boa Vista, aprendem a olhar com outros olhos para o guarda-roupa e ver novas potencialidades para aquela calça jeans que estava encostada, ou para aquele vestido que precisava de reforma.
No curso, de 60 horas, as alunas entram em contato com várias técnicas diferentes, como bordado, silk (seda), costura à mão, colagem de peles, lantejoulas, paetês, cristais, patch (enfeites com pedaços de tecido), transformação de peças, lavar, desbotar, desfiar, gastar e cortar roupas, técnicas de tingimento e manejo da máquina de costura. ''Abordamos até conceitos mais complicados, como 'o que é moda', quais as tendências e o que está sendo usado'', explica a professora Irenilde da Silva Moura.
As aulas tem duração de 3 horas e acontecem em um espaço disponibilizado pela Associação Recreativa Tia Dina, parceira da FAS no curso da Regional Boa Vista. ''A idéia é que elas possam fazer (os trabalhos) tanto aqui quanto na casa delas e transformem isso numa fonte de renda'', conta Zilá Tavares de Quevedo, técnica responsável pelos cursos de capacitação profissional e geração de renda da Regional Boa Vista.
Segundo Zilá, esse tipo de ação se destina ao público mais vulnerável socialmente. A renda das famílias das beneficiadas é de cerca de meio salário mínimo per capta. Além dos conteúdos técnicos, é preciso trabalhar a auto-estima das participantes, para que tenham confiança de que podem se tornar boas profissionais.
No caso do curso da regional Boa Vista, a FAS arca com os custos de material e contratação de professores, enquanto a Associação Tia Dina oferece o espaço e as máquinas de costura. ''Se o interesse em aprender e produzir continuar do jeito que está, a intenção é criar um espaço para as alunas comercializarem sua produção dentro da associação'', garante Leandrina dos Santos, a tia Dina.
Se depender de Cecília, essa realidade irá se concretizar muito em breve. Ela conta que, desde que começou a fazer o curso, já vendeu mais de 30 peças, entre chinelos, fuxicos, tapetes e roupas de criança. Questionada sobre o tempo necessário para tamanha produção ela não se intimida: ''Eu dou conta, coloco o 'véio' na cozinha e arrumo tempo'', diverte-se.®MDBU¯®MDNM¯
Outra aluna que já está colhendo os frutos financeiros do seu trabalho é Alice Ekermann, presidente da Associação de Proteção e Apoio Beneficente à Família e Clube das Mães do Atuba. ''Pensei que não ia ter encomenda, mas já tenho várias'', conta. Para ela, uma das grandes vantagens do curso é poder colocar a imaginação para funcionar. ''Vou pegar todas as calças jeans que estão encostadas no armário pra fazer bolsas'', diz.


