Inspeção veicular aguarda resolução
Célia Baroni
Arquivo FolhaServiço eletrônico de vistoria é mais abrangente: 70% de alcance Enquanto o Contran não define se vai ou não autorizar a terceirização da inspeção veicular eletrônica - contida no novo Código - a vistoria dos carros continua seguindo as regras antigas. Pode ser feita por despachante credenciado ou no Detran. O novo sistema de vistoria precisa ser viabilizado o quanto antes para que o Novo Código Nacional de Trânsito seja implantado em sua totalidade, diz o chefe da Ciretran de Londrina, Arlindo dos Santos Barbosa.
O chefe da Ciretran defende o novo sistema como única forma de garantir que apenas carros em boas condições fiquem circulando nas ruas. Ele observa que nos países onde o sistema já funciona foram retiradas das ruas cerca de 20% da frota de veículos, em três anos de vistoria. No Brasil tem muita sucata andando na rua favorecendo à ocorrência de acidentes. Aqui, no primeiro ano de implantação da vistoria eletrônica, 20% da frota sai de circulação, acredita Barbosa.
Para o chefe da Ciretran, a terceirização é a única forma de viabilizar o novo sistema de vistoria. Ele explica que a vistoria eletrônica é mais detalhada e exige técnicos especializados. A margem de segurança deste sistema é de 70%. É bom para o proprietário que tem certeza de ter um veículo em boas condições e seguro nas mãos , defende.
A resolução de 1985, que tratava da inspeção veicular e permitia a terceirização do serviço, foi suspensa pelo governo federal, pegando Paraná e Rio Grande do Sul de surpresa. Os dois estados já estavam com os processos de concorrência pública para a terceirização da inspeção prontos, que deveria entrar em vigor na data do novo Código.
O governo justificou afirmando temer a formação de cartéis. Paraná e Rio Grande do Sul argumentam que a definição de um preço fixo para o serviço já nos editais de concorrência afasta o perigo da formação de cartéis. O Paraná fixou valor de R$ 50,00 e o Rio Grande do Sul R$ 45,00.
O tempo previsto para cada veículo ser revisado, conforme o estabelecido, está calculado em 20 minutos. Nos dois estados participaram da concorrência mais de 40 empresas, inclusive estrangeiras, que são especializadas neste tipo de trabalho.
CustosO principal ponto da polêmica sobre a implantação da inspeção veicular ainda é a possibilidade de revendedoras de carros e oficinas serem credenciadas para a inspeção. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrav), que representa as concessionárias é contra seus associados participarem da inspeção. Do outro lado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) é favorável.
A preocupação de evitar que oficinas que hoje cuidam dos carros façam a inspeção em veículos consertados por elas parece ser consenso. Seria como deixar a raposa tomando conta do galinheiro, chegou a comentar o presidente do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná, César Roberto Franco.
Outro ponto de concordância é que as inspeções de segurança e de checagem de emissões de gases e ruídos devem ser feitas simultaneamente para reduzir os custos e a perda de tempo. A estimativa é que o programa nacional de inspeção e emissões de gases e ruídos vai exigir investimentos de R$ 1 bilhão para verificar mais 20 milhões de veículos.





