A professora aposentada Adilesta Venturini Mendes Pinhal, 70 anos, nem lembra mais quando teve uma noite inteira de sono. ''Muitas noites passo em branco'', diz ela referindo-se às noites em que não consegue fechar os olhos e adormecer. Ela lembra que a insônia a acompanha desde os anos do colégio interno. Com o passar da idade, a professora notou a diminuição do já escasso sono e aumento nos lapsos de memória.
''Nunca fui de dormir muito, sempre ficava nas cinco ou seis horas'', lembra Adilesta. Ela conta que estudou em um colégio interno e demorava até três horas para pegar no sono. ''Quando tinha prova, então, eu me trancava no banheiro e ficava estudando durante toda a noite'', revela. Tanta dedicação revertia em boas notas para orgulho da família.
Depois de 40 anos trabalhando no magistério ela contabilizou muitas noites preparando aulas e corrigindo provas. Nada de sono. A folga que veio com a aposentadoria não representou mais tempo para o sono, com menos atividades Adilesta acredita que não fica cansada e, dessa forma, continua sem conseguir dormir.
Adilesta acentua que para enfrentar as longas noites vazias de sono procura ler livros, revistas, escrever cartas e escutar músicas. ''Muitas vezes fico lendo até as 4 horas da madrugada, quando vejo sinal de sono nos olhos, deito e consigo dormir até às 8 horas'', explica.
Mesmo dormindo pouco e até passando noites inteiras acordadas, ela afirma que consegue realizar as atividades do dia normalmente. ''Ao contrário de muitas pessoas eu não fico mal-humorada ou com raiva por não conseguir dormir'', esclarece. (J.W.)

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