Inserção Produtiva
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segunda-feira, 30 de abril de 2007
Marcos Martins<br> Equipe da Folha 
Sob o olhar atento de Hilda do Couto estão centenas de joaninhas. Mas ela não é ambientalista, tampouco pertence a entidades de proteção à natureza: é uma das integrantes do Projeto Eva, que reúne novas artesãs de Curitiba envolvidas na produção de peças em EVA. A sigla abrevia Etil Vinil Acetato, uma espécie de borracha fina utilizada para fabricação de variadas peças, como as réplicas dos pequenos insetos, utilizados como imã de geladeira. Trabalho que Hilda jamais havia pensado em fazer. ''Fiquei sabendo por uma amiga e decidi me inscrever. Hoje só penso em progredir nesta carreira'', conta.
Os primeiros passos do grupo foram dados no final de 2005, estruturados em cinco etapas do Programa Vitrine Social, da Fundação de Ação Social (FAS): diagnóstico para definir qual produto será desenvolvido; sensibilização das possíveis participantes, que são informadas das idéias do programa; capacitação das envolvidas, para qualificação nas técnicas de produção; a parte de produção, onde os materiais são criados; e apoio à comercialização, com a orientação de como proceder para vender os objetos em feiras e diretamente para empresas e consumidores.
Antiga copeira de uma clínica, Ademildes Trindade precisou mudar de profissão por recomendação médica. ''Fiz curso de caixa decorada também, mas não tinha uma continuação. Você terminava, ia para casa e ficava sem rumo. Aí participei desse e houve a proposta de montar um grupo e começar a produção'', revela. Uma parceria com o Clube Soroptimista possibilitou a compra de cinco máquinas de corte da matéria-prima e, aos poucos, o trabalho foi aumentando. Hoje são produzidos porta-retratos, imãs de geladeira, recados de porta, cestas e outros objetos encomendados pelos clientes, como brindes para festas de aniversário e lembranças de nascimento de bebês. ''Eles explicam como querem e buscamos ajuda dos professores para criar a novidade, adaptar as medidas e acertar em todos os detalhes'', explica Ademildes.
Outra que não imaginava os rumos que iria seguir é Honória Souza. Ela, aliás, pensava que não iria sequer gostar da oficina. ''No começo é difícil, aí você desanima. Mas os professores incentivavam e no final deu certo'', comemora a hoje responsável pelo corte do EVA. ''É uma terapia'', resume Hilda do Couto. E uma terapia que tem ajudado no orçamento das artesãs, já que os lucros são divididos entre todas ao final do mês. Mas, de acordo com a assistente social Rosângela Cardoso Machado, que trabalha no apoio às empreendedoras, tão importante quanto o lado econômico está a melhora da auto-estima. ''São descobertos talentos que algumas não pensavam que tinham, novas amizades são estabelecidas. É uma importância social muito grande'', analisa.
Outra tarefa de Rosângela é discutir o relacionamento interno do grupo e buscar a solução de problemas individuais das participantes. ''Há casos em que a mulher precisa de uma creche para o filho, então vamos atrás, procuramos intermediar saídas para essas questões'', revela a assistente social.
Com os problemas ''extra-campo'' resolvidos, fluem a criatividade e os sonhos, como o de visitar a Europa para conferir o trabalho em EVA que é feito por lá. ''Já levaram peças nossas para Portugal e sei também que há oficinas deste material em Londres. Então tenho muita vontade de ir conhecer, para ver como funciona'', planeja Ademildes.


