Inovação marca trajetória de Ferdinando
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Alexandre Sanches 
A vinda do hoje gerente de eventos especiais Ferdinando Milanez, o Nando, para Londrina, em 1959, era para ter sido somente uma viagem de estudos. No entanto, ele quis trabalhar na Folha, começando de baixo, como motorista e, com muito esforço, chegou ao ponto de coordenar contatos publicitários, inovando num estilo de venda ainda novo na cidade: indo até as empresas anunciantes.
Naquele ano, ainda estudante em Meleiro (SC), Ferdinando foi convidado pelo irmão João Milanez a vir a Londrina para estudar. O pai autorizou e no dia 31 de outubro Nando desembarcou em Londrina de um avião da Real. Na bagagem, um saco de farinha de milho para dar de presente ao irmão. Fui recebido como um chefe de Estado pelo mano. Com ele estavam o Walmor Maccarini, o Carlos da Silva e o Nilson Rímoli, todos da Folha, relembra.
Nando foi morar com João no Hotel São Jorge, mas logo sentiu-se incomodado com a mordomia. Pediu para trabalhar no jornal, fazendo aquilo que já sabia: dirigir. E pegou o jipe da equipe de jornalismo, carregando repórteres para cima e para baixo. Não tinha horário. Entrava à tarde, ia estudar à noite e voltava para a Redação. Só parava de madrugada, quando o jornal estava pronto, comenta. Muitas vezes, quando acabava a energia, o jornal saía às 10 horas da manhã - e só aí é que o pessoal podia ir embora.Paulo WolfgangQuatro amigosArmando, Ferdinando, Mineiro e Cida: amizade duradoura, numa vida dentro da Folha de Londrina
Um dia, às 5 horas da manhã, o chefe Nilson Rímoli lhe pediu que o acompanhsse para trocar o pneu de um jipe que tinha, e que estava parado longe da Folha. Eu disse que ele deixasse para trocar de dia, mas ele insistiu e me convenceu. Nilson e Carlos da Silva foram junto. Ao chegarmos na esquina da Mato Grosso com Celso Garcia Cid, perdi o controle do nosso jipe, bati num Simca Chambord estacionado e entrei num bar, que estava fechado.
O dono do carro, um fazendeiro valente, logo apareceu e partiu para cima da equipe da Folha, chamando o Nando de bêbado. Ele não se conformava porque o carro estava pronto para ele viajar a Goiás e xingava a minha mãe, relata. Foi então que o jovem redator Carlos da Silva foi tomar as dores do Nando, dizendo que ele não era bêbado e que a mãe dele não era aquilo que dizia. Então o fazendeiro sacou de um revólver e fez o Carlos mudar de opinião rapidinho, conta, aos risos. Por fim, Nilson conseguiu convencer o fazendeiro a viajar e arrumar o carro quando voltasse, por conta da Folha.
Por volta de 63, Nando passou a trabalhar com a venda de anúncios no balcão do jornal, da maneira tradicional. As vendas eram boas, por causa do auge do café, mas não era costume a gente sair atrás dos anúncios. Foi então que eu resolvi sair a campo, fazendo a primeira venda na empresa do cliente. E para convencê-los a anunciar no jornal, Nando promovia partidas de futebol entre o pessoal da Folha e as empresas, noticiando o fato depois no jornal. Eles gostavam disso, e a gente vendia.
Ferdinando afirma que, por causa deste contato direto com as empresas, acabou acompanhando de perto a história do crescimento de Londrina. Era uma empresa anunciar que abriria suas portas na cidade, e lá estava ele atrás de um anúncio. E garante que o comércio investia bastante neste tipo de publicidade.
Foi neste período que se formou em Direito. Mas preferiu continuar trabalhando na publicidade. Por causa do seu contato com empresários e pessoas influentes da cidade, admite que ensinou muitos contatos a vender, acompanhando-os nas visitas e apresentando os clientes.
Gosto deste meu trabalho. Não consigo fazer outra coisa. A visita às empresas, o contato pessoal me satisfaz. E para isso não pode ter preguiça, porque o trabalho nunca matou ninguém, diz.


