Inovação e tecnologia no Pavilhão Smart Agro
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quinta-feira, 12 de abril de 2018
Amanda de Santa<br>Especial para a FOLHA 

O Pavilhão Smart Agro é, pelo segundo ano, um dos espaços mais movimentados e dinâmicos da ExpoLondrina 2018. Além de uma programação extensa de eventos ligados ao empreendedorismo e tendências de mercado, o local concentra diversos expositores, que aproveitam a feira para apresentar ideias e projetos de negócios inovadores e tecnológicos para o agronegócio e também outros setores da economia.
Neste ano, startups incubadas na Aceleradora Go Agritech, da Sociedade Rural do Paraná (SRP), trouxeram protótipos para mostrar a produtores e investidores. Uma delas é a Trace Pack, que criou o Trace-X, um equipamento para rastrear defensivos químicos. O representante da startup, Dilson Ito, afirma que, hoje, bandidos possuem técnicas aperfeiçoadas para anular os rastreadores convencionais que existem no mercado. Uma carga pode valer R$ 500 mil reais.
A proposta, portanto, é realizar o rastreamento não pelos celulares, mas pela SIGFOX, uma rede global de Internet das Coisas (IoT). Ela é gerenciada na nuvem e não nos dispositivos e, por isso, mais segura. "A Trace Pack possui tecnologia avançada em IoT, que permite a comunicação com o campo a um baixo custo e alta eficiência", explica Ito. Segundo ele, o Trace-X pode transmitir informações do produto rastreado por até um ano sem precisar trocar a bateria.
Outra startup acelerada dentro da Rural e que participa da feira este ano é a DIP8 Soluções Eletrônicas. Ela trouxe para o evento o protótipo do projeto Ferrugem Zero, criado para monitorar a cultura e avaliar as principais variáveis que favorecem a proliferação do fungo nas propriedades, como temperatura, umidade, molhamento foliar. "O equipamento se comunica via rede de celular GSM e tem alcance de cerca de 10 alqueires, ou 45 mil metros quadrados", informa o representante Nicolas Bruno Montanha Vançan.
Todas as informações podem ser acessadas pelo produtor via aplicativo. Vançan conta que a startup está concluindo o primeiro protótipo e testando o equipamento em condições de exposição extrema. Para ele, a feira tem sido positiva para sentir o interesse dos produtores e a necessidade de inserção de novas soluções no mercado.
Outra startup presente no pavilhão é a ModelWorks Engenharia, com sede em São Carlos, interior de São Paulo. Dois dos sócios, Henrique Moritz e o irmão Carlos Alfredo Moritz, são de Londrina. Henrique diz que trouxe para a feira, pela primeira vez, dois produtos: o elevador de fardos, que está em exposição na Fazendinha, e um drone classe 1, de alta capacidade, para pulverização, que pode ser visto de perto no estande.
Segundo Henrique, o drone possui capacidade para 250 quilos de carga e produtividade em torno de 100 hectares por hora, similar a de um avião agrícola. "A vantagem é que funciona por combustível e não bateria, e o abastecimento é mais rápido. Apesar de levar menos carga que um avião, consegue competir pela agilidade", explica. Os irmãos estão felizes com a receptividade dos visitantes ao produto. "Todos chegam aqui querendo comprar, mas ainda não está pronto", conta Henrique.
Já o elevador de fardos é, segundo ele, um produto inédito no Brasil. "Desenvolvemos uma versão bem simples de ser operada, acoplada ao trator, que facilita a atividade de recolher fardos do campo", afirma. Henrique lembra que esse é um trabalho que requer muita mão de obra e esforço. O equipamento promete reduzir em até 50% o número de pessoas envolvidas na tarefa.
ENERGIA SOLAR
A empresa londrinense Bono Fotovoltaico, fundada em 2016, também é uma das expositoras do Pavilhão Smart Agro. Especializada em projetos de geração de energia solar fotovoltaica, atua na área residencial, comercial, industrial e agronegócio com sistemas de pequeno, médio e grande porte. O sócio-diretor da empresa, Marcelo Abuhamad, diz que trabalha com o dimensionamento e viabilidade financeira, até projeto, homologação com a concessionária, comercialização, instalação de equipamentos e manutenções preventivas e corretivas.
O serviço também é estendido para projetos especiais e sistemas isolados, como bombeamento de água e irrigação proveniente da fonte de energia solar fotovoltaica, por exemplo. O empresário comemora os resultados da participação na primeira feira da empresa. "Estamos muito felizes, alcançamos 50% da nossa meta de venda em apenas três dias de evento", aponta. Além dos negócios fechados, ele diz que tem mais de 500 potenciais clientes para trabalhar após a ExpoLondrina. "Isso demonstra o quanto as pessoas têm se interessado pela tecnologia", avalia.
Para Abuhamad, a isenção de impostos para alguns equipamentos, linhas de crédito para viabilizar o sistema, e conhecimento da população têm contribuído para o aumento da procura. Para se ter uma ideia, uma casa que gasta, em média, R$ 400 de energia elétrica, pode abater até R$ 330 da conta com a instalação do sistema. O investimento é de R$ 20 mil. Já numa residência que paga R$ 200 ao mês, pode ter a conta reduzida para R$ 35 ao instalar os módulos solares por R$ 12 mil.


