Como estagiária de uma rede de lojas de departamentos, durante quase dois anos, a estudante Alessandra Yumi Kanbara conseguiu desenvolver um bom trabalho, mostrou desenvoltura e competência nas atividades, soube respeitar hierarquias, foi educada e gentil com os colegas e clientes.
  O perfil da moça encheu os olhos da supervisora que aguardou Alessandra completar 18 anos, em abril deste ano, para efetivá-la como assistente de crédito e cobrança. ‘‘Fiz aniversário num dia e no outro eu já estava empregada. Aqui eu completei 16 e 17 anos trabalhando. Foi muito importante para mim’’, comemora a garota.
  Alessandra, que desempenha a mesma função da época de estágio, agora tem mais responsabilidade, inclusive a de apoiar novas estagiárias. Há pouco já conseguiu até o primeiro aumento salarial e recebeu o 13º. ‘‘Estou muito feliz. Sempre consegui conciliar o trabalho e os estudos. Vou poupar dinheiro para pagar minha faculdade. Tenho o objetivo de crescer na empresa e quem sabe alcançar o cargo de supervisora administrativa’’, disse a jovem, observada de perto pela supervisora administrativa da loja, no Centro, Flávia Silva.
  ‘‘Nossa empresa tem plano de carreira. Eu mesma comecei como caixa de uma loja, em Santa Catarina, e alcancei esse posto. Basta se qualificar’’, conta Flávia, informando que 40% dos funcionários da loja, nessa época do ano, são temporários, com ou sem experiência.
  Mesmo sem experiência no mercado, Rodolfo Paganelli Reis, de 19 anos, não precisou esperar muito para a primeira oportunidade de emprego. Dois dias depois que se inscreveu na Agência do Trabalhador o rapaz foi encaminhado para entrevista numa das maiores redes de supermercado do Estado. Três meses de experiência e logo veio a primeira assinatura na carteira de trabalho.
  ‘‘Queria ser menos dependente dos meus pais, já que moro com eles. Ganho meu salário, gosto do que faço e estou muito feliz’’, disse o sorridente rapaz, que antes do emprego trabalhava com o pai em casa, no Alto Boqueirão, produzindo placas e faixas de propaganda.
  No supermercado, Rodolfo trocou as tintas pelas frutas e verduras que organiza no setor de hortifrutigranjeiro do supermercado. Como atendente o jovem chama atenção pela simpatia. ‘‘Na primeira semana de trabalho foi difícil, para aprender tudo e porque não conhecia ninguém. É preciso força de vontade’’, ensina ele.
  Rodolfo também tem o desejo de conquistar postos mais altos dentro da empresa. ‘‘Quero subir de cargo, evoluir, quem sabe me encaixar no setor de Recursos Humanos e na Administração. Pretendo cursar Administração ou Comércio Exterior para chegar lá. Esse é o meu sonho’’, confessa o rapaz.
  Segundo Marcos Peixinho, diretor de Capital Humano da rede de supermercados na região Sul, abrir as portas para quem procura o primeiro emprego faz parte da política da empresa e está relacionada à atuação na área do varejo.
  ‘‘É uma atividade que se caracteriza pela prestação de serviços e utiliza mão-de-obra em diversos níveis, inclusive para posições como repositor e outras que não necessitam especialização ou experiência, abrindo oportunidade para quem quer ingressar no mercado de trabalho. Soma-se o objetivo da rede procurar candidatos que residam nas proximidades da loja, promovendo uma relação com a vizinhança ao mesmo tempo em que promove a inserção do jovem no mercado’’, explica Peixinho, informando que 30% de todas as contratações que a rede efetua, no Paraná, são de pessoas sem registro anterior em carteira.
  Depois do primeiro emprego com carteira assinada, como auxiliar administrativo, em setembro, não demorou para Jonatas da Silva Mira, de 19 anos, ser chamado para uma entrevista. ‘‘Antes, tinha passado seis meses na procura, no choro mesmo. Depois da carteira assinada, ficou tudo mais fácil, abre portas’’, conta o jovem, que foi contratado por uma rede de farmácias de Curitiba para a função de auxiliar de loja, há dois meses. ‘‘Faço desde o atendimento ao cliente, a reposição de mercadorias e função de office-boy. O trabalho é puxado e cansativo, mas importante para mim. Meu salário complementa a renda familiar’’, pondera Jonatas.

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