Iniciativa privada patrocina choque de GESTÃO
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Antônio Mariano Júnior<BR>Especial para a FOLHA 
Normalmente discreto, o empresariado londrinense está surpreendendo ao patrocinar, desde abril deste ano, um projeto que promete aditivar as finanças municipais. Trata-se do Programa Modernizando a Gestão Pública (PMGP) cujas metas, se alcançadas, poderão injetar até R$ 67 milhões no caixa da Prefeitura. Os valores serão aplicados preferencialmente em saúde, educação e obras. Em investimentos e não em custeio, é bom frisar.
O choque de gestão, há tempos necessário na máquina pública, só foi possível graças a um grupo de 133 empresários locais que se cotizaram e vão bancar, durante 17 meses, R$ 2,8 milhões para a contratação de quatro frentes de trabalho: Gestão da Aquisição de Produtos e Serviços; Gestão da Saúde; Redução de Despesas e Crescimento de Receita. Dois projetos foram implantados em maio e outros dois em julho. Cada um levará 14 meses para sinalizar êxitos.
O PMGP se desenvolve através de uma assinatura do termo de cooperação técnica com o Movimento Brasil Competitivo (MBC), entidade responsável pela contratação de consultores do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG). No entanto, a mobilização dos empresários merece um capítulo à parte na história.
Há tempos não se via tamanha sensibilização e em tão pouco tempo para se angariar fundos. É um fato histórico, sem dúvida. Nós vendemos uma ideia para a comunidade e o prefeito (Barbosa Neto - PDT) aceitou, sintetiza Flávio Meneghetti, o principal viabilizador do Movimento Londrina Competitiva (MLC).
Empresário do setor de distribuição de veículos e de incorporação imobiliária, ele salienta não haver nenhum tipo de contorno político ou partidário na empreitada. Mensalmente, Meneghetti contribui com R$ 3,5 mil (cota master).
A motivação veio, como explica, ao observar que durante 20 anos a comunidade pensante se afastou do processo político e administrativo. Isso fez com que algumas administrações tomassem caminhos não desejados, diz enigmaticamente.
Outro fator importante são as experiências próprias aplicadas em sua empresa, o Grupo Marajó, há pelo menos 12 anos. Na época, Meneghetti contratou a então Fundação de Desenvolvimento Gerencial do também sócio-consultor e co-fundador do INDG, Valter Falconi e obteve retornos excelentes no equilíbrio de receita e despesas.
Enfático em seus posicionamentos, o empresário afirma não se surpreender com a projeção de ganho extra na casa dos R$ 60 milhões as projeções iniciais oscilavam entre R$ 35 milhões a R$ 40 milhões. Se não fizéssemos isso, a atual administração poderia cair na mesmice das outras. Esses recursos vão representar uma capacidade adicional de investimentos próprios do município, deduz.
VAI DAR CERTO
Dois outros ilustres empresários também aderiram imediatamente ao Movimento Londrina Competitiva. George Hiraiwa, diretor-presidente do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) / Norte do Paraná, acionou o seu grupo de relacionamentos em favor do PMGP. O trabalho de convencimento foi gradual. Porém, a credibilidade do Grupo Gerdau e do INGD serviram de argumentos fortes para afastar receios.
O Sicoob Norte do Paraná colabora mensalmente com R$ 3,5 mil. Outros
R$ 15 mil foram obtidos com entidades cooperativistas como a Unicred, Sicred, Cooperativa Integrada e Confepar. Esse programa vai dar certo. Vejo o empenho e a motivação inclusive nos primeiro e segundo escalões da Prefeitura, frisa. Hiraiwa é empresário dos ramos de alimentação, tecnologia da informação e incorporações.
Por enquanto, de acordo com a linha de raciocínio dele, não dá para vislumbrar algo de concreto, pois os técnicos ainda estão fazendo o mapeamento das áreas para se chegar a formular ações específicas e pontuais. Porém, o empresário acredita que o MLC possa servir de estopim para outros movimentos da sociedade. Inspirada nesse modelo, a comunidade pode se organizar futuramente em melhorias necessárias, prevê.
Rumo ao futuro
Por sua vez, Oswaldo Pitol vai mais além ao afirmar que o movimento está preparando Londrina para o futuro. O empresário contribui com cerca de
R$ 5,5 mil, advindos das diversas ramificações do Grupo Seven, do qual é proprietário.
Ao jantar de apresentação do Movimento Brasil Competitivo, em março, no Buffet Planalto, em que esteve presente o presidente fundador da entidade, Jorge Gerdau Johannpeter, ele conseguiu levar 15 dos mais de 440 participantes. Grande parte de seus amigos gostou do que ouviu e topou subsidiar o modelo de gestão com a cota master.
O projeto só seria válido se fôssemos buscar adesões no mercado, diz. Um grupo de cento e poucos membros é muito pequeno se levarmos em conta que Londrina possui, pelo menos, mil empresários, complementa.
Pitol está confiante no cumprimento das metas. Por isso mesmo, ele acredita ser possível, futuramente, o Movimento Londrina Competitivo ganhar não só a simpatia, mas também a colaboração de representantes de entidades organizadas em prol de outras benfeitorias coletivas. O empresariado pode ir longe quando está motivado, afirma.


