A Avenida Leste-Oeste, a serpente de piche que mede cerca de seis quilômetros de extensão, é um corredor veloz repleto de provocações. Ali acontece de tudo, toda espécie de atividade mundana. Brigas de motoristas, acidentes, crimes sem solução e os ''noiados''(gíria usada para os drogados) que, algumas vezes, assaltam as pessoas em plena luz do dia. Mas gente trabalhadora, a grande parte da população, também passa ali, todos os dias, de ônibus, de carro e a pé.
No fim da tarde, na altura da Avenida Rio Branco, os largos canteiros centrais da Leste-Oeste transformam-se em pista para caminhar. De madrugada, sob o ritmo de 12 semáforos, que iluminam o palco humano, o comércio do corpo ganha padrões modernos e acompanha as grandes capitais. O sexo ''fast-food'' exibe-se na Leste-Oeste. O motorista no carrão e a jovem prostituta se entendem. A venda invisível de drogas, passada de mão em mão, ninguém sabe, ninguém viu.
Pela Leste-Oeste a cidade cresce, trafegam cinco linhas de ônibus que carregam estudantes, trabalhadores, cenas de amores secretos, aposentados, gente curiosa procurando, preenchendo ficha, deixando os currículos nas centenas de estabelecimentos comerciais.
A Leste-Oeste nasce na Avenida 10 de Dezembro e exige complexidade na sua administração. ''Todos os dias tem gente fazendo manutenção na avenida, troca de lâmpadas dos semáforos, pintura viária, poda e conservação dos seus canteiros centrais'', diz o diretor de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, que destaca: ''O maior problema na Leste-Oeste é conter a velocidade. A característica viária da avenida convida o motorista a se exceder, principalmente quando chega na altura da Avenida do Sol'', diz Grotti, que mostra um livro dos mapas das ruas da cidade e os vários nomes que a Leste-Oeste ganha ao longo de seu trajeto.
''Depois, ela segue com o nome de Rua Jacob Bartolomeu Minatti até a Duque de Caxias, quando vira a Avenida Arcebispo Dom Geraldo Fernandes. Nas imediações da Rio Branco surge o pedaço da avenida onde o canteiro central fica mais largo e ganha o nome de Avenida Abílio Benatti que vai até a Avenida do Universo. Lá, continua como Avenida Luigi Amorese, para finalmente terminar na Rua Virmond Carnascialli'', explica Grotti. Ele lembra que na época em que a avenida foi projetada pelo então prefeito Wilson Moreira, mentor da obra, anteviu-se o crescimento da cidade.
''O projeto recebeu duras críticas, as pessoas diziam que não ia passar ninguém ali, criticavam os gastos e que era muita avenida para Londrina, com canteiro central muito largo'', diz. Hoje, as críticas caíram por terra, é sem dúvida uma avenida importante, e nasceu aparelhada para acompanhar o futuro e receber em seu canteiro central uma canaleta para escoar o tráfego de ônibus, uma obra que, com certeza, ainda será feita no futuro.

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