Informais fazem de tudo para conseguir sobreviver
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sábado, 30 de abril de 2005
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
O mercado de trabalho informal caracteriza-se pelo fato de que os trabalhadores estão à margem das leis e das garantias que elas representam. Neste aspecto, todos os informais se igualam. Mas se por um lado muitos que estão hoje na informalidade não se ressentem disso, outros tantos gostariam de mudar de lado e voltar a trabalhar com carteira assinada.
Pintar o rosto, vestir-se com roupas engraçadas e passar o dia nos semáforos fazendo graça é o trabalho do palhaço ''Pirulito'', ou José Moraes, de 29 anos. Ex-montador de móveis, o rapaz conta que buscou a informalidade porque viu melhores oportunidades. ''Eu ganho em uma semana o que ganhava em uns 15 dias de trabalho'', compara. Por dia, ele chega a faturar até R$ 50,00. E, como palhaço, tem ainda a oportunidade de viajar por todo o Brasil. Ele diz que se preocupa com o futuro mas argumenta que é o preço que se paga. ''Em time que está ganhando não se mexe'', comenta.
O negócio de palhaçadas é até bastante organizado. Moraes trabalha com uma ''equipe'' de cinco pessoas que produz e vende máscaras e pirulitos. Existe até um caderninho uma espécie de livro-caixa onde são controlados os custos da produção e a vendagem diária.
O lambe-lambe Messias Bezerra, de 59 anos, vive situação inversa. Há 32 anos vendo Londrina através das lentes da velha câmera fotográfica, este pernambucano que aprendeu o ofício com o pai afirma que foi engolido pela concorrência desleal da tecnologia digital de captação de imagens. ''Na época boa, entre os anos 70 e 80, fazia até 70 fotos por dia e havia 16 retratistas. Hoje só restou eu e tem dia que não faço nenhuma foto'', revela. Mesmo assim, Bezerra diz que não pretende abandonar o que faz: ''Criei minha família lambendo, sou despreocupado com aposentadoria e quero trabalhar nisso até o meu último dia''.
Ao contrário do lambe-lambe, o catador de lixo Salvador Antunes, de 57 anos, não pensaria duas vezes se pudesse mudar de trabalho e voltar para a velha profissão de pedreiro e carpinteiro. ''Meus documentos e minhas ferramentas estão guardadas em casa. Se arrumasse um serviço na minha profissão largava isso na hora'', afirma. Garimpando o lixo, Antunes consegue cerca de um salário mínimo mensal. Esse dinheiro sustenta ele e uma filha. ''Se não tivesse os conhecidos (que separam lixo para ele), passaria fome'', lamenta.


