Informações dos dois lados são conflitantes
Contrapor os argumentos das duas frentes de posições antagônicas no Referendo do dia 23 de outubro mostra como grande parte das informações são conflitantes, não servindo, na prática, para ajudar a população na decisão do voto. A seguir, as ONGs Sou da Paz e Viva Brasil apresentam os motivos pelos quais defendem as próprias posições.
Benê Barbosa, presidente da Ong Viva Brasil (vota Não, pela continuidade do comércio de armas no Brasil): Se o comércio for proibido, somente pessoas físicas, como as forças armadas, Polícias e empresas privadas de segurança vão poder retirar portes de arma. Isto derruba o argumento da frente pelo Sim, que alega que moradores de áreas isoladas, que precisam de mais segurança, poderão ter armas. Quem renovar o porte não terá onde comprar munição, o que pode incentivar o comércio ilegal. Por outro lado, se a pessoa não buscar munição para a sua arma, logo ela vai se transformar num pedaço de metal, sem utilidade. O fim do comércio também teria forte influência na economia do setor, já que os lucros provenientes das vendas internas ajudam as fábricas a manter preços competitivos no mercado exterior. No aspecto da segurança, as pessoas podem, sim, aproveitar um momento de distração de um assaltante para utilizar a arma em defesa própria. Cada um deve avaliar o momento ideal para fazer isso. Se o uso de armas não fosse eficaz no combate à violência, então por que os seguranças dos artistas que defendem o Sim as usam? Não contestamos a democracia de um referendo, mas temos que levar em conta que as pessoas podem tomar uma decisão sem conhecer o lado de quem precisa de uma arma. A votação não tem apoio de 100% da população e, portanto, quem optar Não, no caso de derrota, vai ter um direito retirado.
Beatriz Cruz, coordenadora da rede pelo desarmamento do Instituto Sou da Paz (vota Sim, pela fim do comércio de armas no Brasil): O Referendo trata especificamente da proibição ou não do comércio de armas no Brasil. A proposta não é banir, e sim controlar o comércio de forma rigorosa. Uma ação não anula a outra: também podemos exigir a intensificação do combate ao contrabando e a criação de leis específicas para o crime de porte ilegal de armas. Desta forma, até a corrupção na polícia vai ser combatida, porque qualquer desvio de conduta que leve um policial a vender um revólver para um criminoso vai ficar mais evidente. A economia do setor deve sentir algum reflexo, mas nada significativo, já que 70% da produção nacional de armas é exportada. Também não é possível afirmar que uma sociedade mais armada é também mais segura. As armas potencializam conflitos, transformando agressões simples em mortes banais. Sem as armas, os crimes serão menos letais. A alegação de que as ocorrências são praticadas com armas ilegais é válida, mas deve-se levar em consideração que estas mesmas armas já foram legais, um dia. A escolha pelo Sim, na realidade, vai mostrar em que tipo de sociedade nós vamos querer viver: num mundo de todos contra todos ou num ambiente onde a liberdade e o direito coletivo se sobrepõe, sim, sobre a liberdade e o direito individual. (A.M.)





