Indústrias de cal monitoram poluentes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Indústrias de cal da Região Metropolitana de Curitiba iniciaram no final de janeiro um automonitoramento das emissões de poluentes atmosféricos do setor. De acordo com a Associação Paranaense dos Produtores de Cal, o objetivo da análise é verificar o real impacto da ação das indústrias de cal nas condições do ar e a partir disso, se necessário, implementar mudanças. Os primeiros resultados devem ser divulgados dentro das próximas semanas.
''No entorno das empresas, colocamos uma máquina que 'chupa' o ar. Ela contém um filtro que é coletado a cada 24 horas e pesado. Depois, é realizada uma análise específica desse pó para saber, dentre os poluentes, o que é da indústria de cal, das estradas de terra da região, de outras empresas. Se for verificado um grande índice de poluentes da indústria de cal, o proprietário tem que tomar providências'', disse Fábio Pini, secretário-executivo da associação.
Ele informou que todas as 25 indústrias de cal vinculadas à entidade estão realizando o automonitoramento. Cada empresa deverá produzir a cada ano quatro relatórios, com informações de sete dias consecutivos de medição. ''As indústrias de cal do Paraná estão concentradas na Região Metropolitana de Curitiba, em Colombo, Almirante Tamandaré, Rio Branco do Sul e Itaperuçu. Todas as empresas vinculadas à associação estão localizadas na RMC'', disse Pini.
Na Região Metropolitana de Curitiba, área mais industrializada do Estado, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) realiza um trabalho de aferição da qualidade do ar em 12 pontos: sete em Araucária, quatro em Curitiba e um em Colombo. Segundo o IAP, há uma 13º estação na Cidade Industrial de Curitiba, que está temporariamente desativada porque foi depredada por vândalos.
A medição apontou que no ano passado os padrões de qualidade do ar foram violados várias vezes: 20 em Araucária, 17 na capital e 37 em Colombo. O IAP informou que nessas situações foi verificado que o ar estava com ''qualidade inadequada'', ou seja, em situação que não chega a ser alarmante, mas que pode afetar pessoas sensíveis a problemas respiratórios.
De acordo com Celso Augusto Bittencourt, diretor de estudos e padrões ambientais do IAP, no Paraná os veículos automotores são os principais responsáveis por emissões de poluentes atmosféricos. Em segundo lugar, estão as indústrias.
''No ano passado, tivemos na região problemas de maio a outubro. Na época do inverno, os poluentes ficam presos na atmosfera. Além disso, tivemos a estiagem'', afirmou Bittencourt. ''Nas medições que são feitas em torno de indústrias, além das emissões das empresas, os caminhões podem desprender material e ainda transitam por estradas de terra, levantando poeira''.
''Quando uma empresa extrapola os padrões de lançamento de emissões, os quais são avaliados através de automonitoramento, o IAP avalia o Relatório de Automonitoramento, no qual devem constar informações sobre esses lançamentos, bem como as medidas que foram ou estão sendo tomadas para atendimento aos padrões legais. Após essa avaliação, dependendo das condições de emissão sem atendimento aos padrões (tipo de poluente, concentração, tempo de emissão, problemas à população vizinha e ao meio ambiente), poderão ser aplicadas as penalidades previstas na legislação'', explicou Harry Teles, da Diretoria de Controle de Recursos Ambientais do IAP. Ele informou que no ano passado o instituto expediu 32 autos de infração por emissão de poluentes atmosféricos.


