A vinda de grandes indústrias para Londrina como a Dixie Toga, a Beta-Sul e a fábrica de pneus coreana Kumho deve mexer - e muito - com a economia de Londrina. Além de gerarem, juntas, 2,8 mil empregos diretos e indiretos, as novas fábricas devem atrair pelo menos seis empresas-satélites para a cidade, segundo informações da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel).
O consultor da MGDK & Associados, Ricardo Ramos, responsável pela instalação da Beta-Sul, calcula que cinco fornecedores deverão acompanhar a indústria, implantando unidades na Cidade Industrial. Estas novas empresas gerariam outros 50 ou até 100 empregos cada uma, segundo Ramos. Somadas, as indústrias satélites da Beta-Sul representariam de 250 a 500 novos empregos na região. ‘‘A transferência destes fornecedores se justifica porque a maior parte de seu faturamento está vinculado a Beta-Sul’’, explica Ramos.
Os outros fornecedores da indústria serão desenvolvidos na região, segundo ele. A MGDK já visitou cerca de dez possíveis fornecedores em Londrina. Entre eles, estão empresas de serviços como alimentação, limpeza, recrutamento e seleção e de manutenção, além de serrarias e serralherias. Ramos acredita que, para fornecer para a Beta-Sul, estas empresas terão que ampliar suas atividades.
Arquivo FolhaAtraçãoO empresário Haberfeld, da Dixie-Toga: trazendo na esteira outras empresas para Londrina
‘‘Devemos desenvolver um forte trabalho a partir do início do próximo ano para substituir nossos fornecedores. Uma empresa mineira, por exemplo, cujos negócios com a Beta-Sul representam 5% de seu faturamento, não tem porque se mudar para Londrina. Isso significa uma boa chance para a pequena empresa da região que pretende passar a ser fornecedora’’, afirmou Ramos.
O diretor presidente da Dixie-Toga, Sérgio Haberfeld, diz que a indústria vai atrair pelo menos um fornecedor de tinta, que empregará cerca de dez funcionários. ‘‘Este fabricante irá se instalar junto à nossa fábrica, a exemplo do que acontece em outras unidades da Dixie’’, diz.
A maior parte do volume de matéria-prima da Dixie é comprada de grandes fornecedores, segundo o empresário. ‘‘Nosso plástico vem de um pólo petroquímico. Não dá para estes fornecedores mudarem-se para Londrina. Mas vamos precisar terceirizar serviços na região nos setores de limpeza e segurança’’, diz Haberfeld.
Quando entrarem em operação, as duas indústrias devem recolher R$ 19 milhões ao ano de ICMS - Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços. A Beta-Sul deve recolher R$ 7 milhões e a Dixie Toga, R$ 12 milhões, anualmente. A soma representa cerca de 24% do total de ICMS recolhido pelo município, que arrecadou R$ 80.151.810 de janeiro a setembro deste ano, segundo informações da delegacia da Receita Estadual de Londrina.
O número é significativo, principalmente quando comparado com a arrecadação de ICMS apenas do setor industrial nos últimos dois anos, que mostra uma queda drástica no volume de recursos canalizados aos cofres públicos. Em 95, o setor arrecadou R$ 37.437.960,00; em 96, o número caiu para R$ 18.484.128,00. Até outubro deste ano, a queda foi ainda maior - R$ 9.232.352,00 - que representa 10,50% do total arrecadado pelo município.
O economista Ismael Mologni acredita que a prefeitura tem que intensificar ainda mais sua política de atração de investimentos e também de manutenção das indústrias já existentes. ‘‘Temos que tomar alguma atitude para recuperar esta arrecadação’’, afirma. Mologni tem três explicações para a queda no recolhimento de ICMS do setor nos últimos anos: o fechamento de grandes indústrias como Skol e Londrimalhas; a sonegação de impostos e a desoneração, a partir do final de 96, do ICMS para exportação de produtos primários e manufaturados.

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