Olhando pela janela das pesquisas arqueológicas no Paraná, vemos que há quatro mil anos a floresta não existia e os primeiros habitantes da região de Santo Inácio caminhavam entre a vegetação do cerrado.
Cinco graus a menos na temperatura do planeta fazia a diferença no cenário dos ancestrais. Na escala de tempo, a região da Redução de Santo Inácio conheceu quatro ocupações.
A viagem ao encontro dos primeiros povos, que se tem notícia, pára numa estação que marca entre três mil a 12 mil anos atrás, período em que populações caçadoras peregrinavam pela região.
''São povos que não sabemos definir o nome, mas que eram coletores, vivendo numa fase pré-cerâmica. O segundo grupo a viver ao longo dos grandes vales dos rios, incluindo o Paranapanema, foi o guarani, a partir dos últimos três mil anos. Então vêm as reduções jesuíticas, que fazem os índios irem para os aldeamentos'', comenta o professor Lúcio Tadeu Mota.
Segundo o professor, nesse primeiro momento, o contato dos padres com os guaranis era estimulado pelo desejo que os nativos tinham de fugir dos fazendeiros. ''É a época em que os espanhóis ocupam a região. Eles vêm da Argentina, catequizando os índios. Então aparecem os bandeirantes e os expulsam. Em 1860 foram criadas as colônias indígenas pelos governos do Estado e do Império, que mandam os padres capuchinhos ficarem responsáveis pela parte espiritual do aldeamento. Depois veio a quarta colonização, que em 1948, culminou com a emancipação política da cidade de Santo Inácio'', explica.(F.L.)

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