Inclusão pelo esporte
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quarta-feira, 09 de maio de 2007
Marcos Martins<br>Equipe da Folha 
Eles nem sabem que a Internazionale de Milão conquistou, no mês passado, mais um título da primeira divisão do Campeonato Italiano de Futebol. Mas o time do atacante brasileiro Adriano que disputou a última Copa do Mundo pela seleção brasileira pode mudar o futuro de Diana Milleo Borges, de 12 anos, e de Kelvin Cardoso da Luz, de 11. Eles fazem parte do grupo de 258 crianças e adolescentes de Curitiba que participam de um projeto de inclusão pelo esporte, formado pela Inter Futura representante da Internazionale em ações sociais - em parceria com o Instituto Pró-Cidadania de Curitiba (IPCC).
O programa desenvolvido pela Inter Futura atende mais de 30 mil crianças (entre 8 e 14 anos de idade) em 16 países, com ações sociais que aliam educação e esporte. Por meio de uma escolinha de futebol, o esporte é utilizado como estímulo à educação. A intenção não é formar jogadores, tanto que caso algum novo craque apareça nos treinos o time da Inter não poderá contratá-lo. A idéia é formar cidadãos.
Coordenador do trabalho desenvolvido no Conjunto Zimbros, na Cidade Industrial, Geraldo Manzela Turcato explica que para a criança participar dos treinos, com direito até ao uniforme do clube italiano, existem algumas obrigações. Elas não podem faltar na escola e também precisam participar das atividades educacionais, que estão previstas na programação, como o Chá Literário, conta.
Neste chá, a tradicional bebida é substituida pela leitura. Uma história é escolhida nos livros e cada aluno fica responsável por ler um trecho. É muito bom porque aprendemos a gostar de ler, quem é tímido perde a vergonha. Com certeza vai ajudar todo mundo lá na frente, prevê a pequena Diana. Seu colega, Kelvin, confessa que não gostava muito dos livros. Mas agora já está tomando gosto pela coisa. Antes tinha preguiça mas agora leio de tudo, jornal, revista, livro. Gosto mais de histórias de aventura, revela.
Ane Carolina Ferreira, de 12 anos, cita também outros exemplos de cidadania que vem aprendendo desde que o projeto começou. O professor ensina a respeitar todas as pessoas, a não falar palavrão. E participar ajuda a desenvolver a disciplina também, porque não pode faltar na escola. Tem direitos e deveres, cita. De acordo com Turcato, a satisfação se estende ao restante do grupo. Elas estão sempre com o sorriso de orelha a orelha. Quando saem daqui vestindo o uniforme do time, dá para perceber o orgulho das crianças, constata.
Para a autônoma Marli Holler, vizinha da sede onde ficam a sala de estudos e o campo de futebol onde as crianças treinam, na Vila Sandra, a movimentação trouxe vida ao bairro. Antes isso aqui ficava abandonado, as crianças não tinham o que fazer e ficavam perto das drogas, de outras coisas erradas, de gente que pode estar querendo o mal. Agora isso mudou, eles ficam entretidos nessas atividades e as mães ficam mais tranqüilas, comemora.
O aposentado Valdir Arão é mais um a elogiar o projeto. Estando aí elas ocupam a cabeça, né? Aí fica longe desses problemas que rondam a juventude, opina. Para ele, a iniciativa poderia ser copiada pelo governo e outras empresas. Aqui tem essa proposta, mas em outros lugares não. Seria bom que todos copiassem, levassem para outras cidades, para formarmos o futuro desse País, sugere.
A base de tudo, segundo a assistente social do Centro de Referência à Assistência Social (Cras) Itatiaia, Maria Aparecida dos Santos, é estender o trabalho até a casa das crianças, realizando estudos de casos individuais, que diagnosticam possíveis problemas. Essa integração é fundamental, serve de base para que a família entenda a importância das ações e também participe de alguma forma, resume.
E é essa interação que vem atraindo uma participação maior dos pais. Eles vêm assistir aos treinos, saber como são as atividades que os filhos participam. Isso ajuda a diminuir conflitos e problemas familiares em casa, conta Turcato. Para a vice-presidente do IPCC, Dacylia dos Santos Vieira, o trabalho é altamente positivo. Estamos confiantes que essa parceria vai mudar para melhor a vida de muitas dessas crianças, afirma.


