Incêndios domésticos têm potencial poluidor
Independente da quantidade de queimadas de que se tem notícia, o chefe-regional do IAP não concorda com a opinião do comandante do corpo de bombeiros. ''Para mim, a emissão de gases por automóveis é o fator poluente mais comum em Londrina'', afirma Ney Paulo.
Ainda assim, ele faz um alerta. ''Londrina não apresenta a mesma frequência de queimadas rurais que o restante do País. A prática de se botar fogo em lixo caseiro, no entanto, é comum na nossa cidade. E apesar de ser um incêndio que emite quantidade menores de gases, o potencial poluidor é muito maior. Enquanto nas queimadas rurais geralmente queima-se somente material orgânico, os incêndios domésticos consomem produtos como plásticos e embalagens de leite, que contêm grandes quantidades de metais'', diz.
Vale destacar que nem todas as queimadas são realizadas de forma irregular. Nem por isso elas deixam de ter potencial poluidor. A Secretaria Municipal do Ambiente, por exemplo, promove a queima de produtos de poda em uma área reservada na Zona Sul da cidade, o que, segundo o próprio secretário, incomoda bastante os moradores da região. ''Já estamos providenciando medidas para evitar a emissão de gases. Breve este problema etará resolvido'', garante Cleidival Fruseri.
Ainda segundo o secretário, a avaliação da administração municipal é de que Londrina realmente não enfrenta problemas graves com queimadas. Há, de acordo com a Polícia Florestal, pontos críticos a serem constantemente vigiados, como o parque Artur Thomas (Zona Leste), a Mata dos Godoy, além de fundos de vale e, obviamente, os quintais das cerca de 120 mil famílias londrinenses. O Artur Thomas, por sinal, tem particularidades que transformariam um incêndio em uma ocorrência muito mais perigosa do que em qualquer outro lugar da cidade. ''Lembro de uma queimada ocorrida em um pasto da Zona Norte, no final do ano passado, que destruiu cerca de 240 mil metros quadrados de vegetação. Conseguimos controlar o fogo em cerca de quatro horas, porque o local era de fácil acesso e pudemos chegar com caminhões. No Artur Thomas é diferente. Lá, enfrentamos um incêndio menor, há cerca de cinco anos, e levamos 12 horas para tomar conta da situação. O fogo precisava ser apagado com varas. Se o incêndio se alastrasse, os danos seriam irreversíveis'', lembra.
''Mesmo com grandes áreas de risco, não registramos mais do que três ou quatro ocorrências por mês'', destaca Fruseri. O secretário também tem a opinião de que as queimadas são menos influentes na emissão de gases do que aponta o IBGE. ''Veículos e indústria vêm antes''. (A.M.)





