Impulso criativo
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Ana Paula Nascimento <br>Reportagem Local 
Conhecida por sua efervescência cultural, principalmente pelos tradicionais festivais de teatro e música, que chegaram a 47ª e 35ª edições este ano, respectivamente, congregando milhares de pessoas ao longo destes anos, Londrina também tem aberto espaço para novas linguagens, como os festivais de dança, cinema, literatura, música independente, canto coral, blues e hip hop. Mesmo ainda sem teatro municipal e aguardando a conclusão da tão esperada reforma do Teatro Ouro Verde, prevista para 2016 , a cidade mantém uma intensa agenda cultural, que reforça o diferencial dessa cidade do interior com "ares de cidade grande".
Pelo fluxo intenso de universitários na cidade, investir em cultura parece estar em harmonia com o protagonismo típico da juventude, mas também abre o debate entre as várias gerações que compõem a história da cidade. Vale citar a atuação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura criada em 1992 , que apesar de algumas dificuldades, serviu e serve de base para uma série de iniciativas culturais nos bairros de Londrina, seguindo o conceito de descentralizar e democratizar o acesso cultural.
Como um "suspiro" na agitada vida moderna, poder participar de um evento cultural representa ter acesso a um momento mágico, em que os sentidos estão voltados ao prazer estético e ao melhor que podemos ser e fazer. E quanto mais diversificadas as linguagens culturais apreciadas, mais rico será o repertório a ser construído e compartilhado. Uma cidade sem movimento cultural se torna triste, definha, não se renova. Sem abertura para o criativo, corre-se o risco de ficar ensimesmado e abandonar o impulso de criar, inovar, que é inerente ao ser humano.
E dentre as novas linguagens que estão conquistando mais espaço na cena cultural da cidade, destaca-se a produção audiovisual londrinense, com enfoque ao cinema autoral independente, cujo maior representante hoje é o jovem cineasta Rodrigo Grota. Da investigação sobre a poética visual da cidade (tema dos curtas de estreia) ao seu primeiro longa - "Leste Oeste" (a ser lançado no que vem), um percurso corajoso de quem acredita que é possível fazer cinema sem os recursos ideais e em uma cidade do interior. Além disso, a concorrência é grande: são mais de 100 filmes produzidos todos os anos no Brasil, que dependem de editais e patrocínio para saírem do papel.
No ano passado, um momento de consagração quando a "Trilogia do Esquecimento" - série que reúne os curtas "Satori Uso", "Booker Pittman" e "Haruo Ohara" - foi exibida em sessão especial na Cinemateca Francesa, em Paris. Um belo começo para o cinema londrinense que ainda tem muito a crescer.
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