Imigrante mantém empresa há 50 anos
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quarta-feira, 17 de junho de 1998
Cláudia Lopes 
O japonês Masaichi Izumi, de 78 anos, acredita que seu sucesso como empresário em Londrina (Norte) seja resultado de uma filosofia adotada por ele, que tem três princípios: seriedade, honestidade e trabalho. Fundamentado nisso é que ele mantém há 50 anos a empresa Corbel, uma das pioneiras da cidade.
A família de Izumi desembarcou em Santos (SP) em 15 de março de 1928. Masaichi, que nasceu em Kagaka-Ken, tinha 8 anos. Primogênito, trabalhou puxando enxada junto com seus pais numa lavoura de café na Fazenda Santa Maria, perto de Sertãozinho (SP). Depois, mudou-se para uma fazenda em Cafelândia e, em seguida, para a Fazenda Santa Carolina, em Pompéia, ambos municípios cafeeiros.
O dinheiro para comprar a primeira área de Izumi no Brasil - 20 alqueires em Pompéia - foi conseguido com o resultado que a família obteve como arrendatária de uma parte da Santa Carolina, com uma formação de café durante seis anos. Mas por falta de experiência, compramos uma terra improdutiva, conta ele. Tivemos que arrendar outra área para produzir, onde ficamos até março de 1948.
Na época da Segunda Guerra, a vida dos japoneses ficou perigosa no Brasil, porque o Japão integrava as potências do Eixo, enquanto o Brasil apoiava os Aliados. Mas Izumi utilizou-se de sua capacidade de fazer amigos para impedir que sua família e conhecidos fossem maltratados.
Através da amizade com juízes, promotores e delegados, Izumi conta que conseguiu autorização para distribuir alimentos e combustível na comunidade onde morava. Eu tinha um dos poucos caminhões do lugar. Levava grãos para São Paulo e trazia sal, açúcar, querosene e gasolina, produtos racionados naquele tempo, diz ele. Izumi casou-se em 1946 com Sadako Akiyama Izumi, também imigrante.
Estas viagens me despertaram para o potencial do Norte do Paraná, que considerei terra de futuro, conta Izumi, que se mudou para Londrina em 1948 com a esposa e seu primeiro filho - então com dois meses de idade. E a viagem, de 200 quilômetros, demorou 20 horas para ser concluída por causa da lama.
Resolvi fabricar guaraná sem entender nada do assunto porque havia dez produtores do refrigerante na cidade. Achei que era um mercado promissor e quis concorrer, afirma. A empresa Guaraná Rubi foi inaugurada no dia 8 de abril de 1948. Seis meses depois, ele trouxe para Londrina o pai, a mãe e outros oito irmãos.


