Ilha do Mel muda perfil, mas continua linda
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domingo, 12 de fevereiro de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nas décadas de 60 e 70 a Ilha do Mel tornou-se reduto de jovens, a maioria amantes dos Beatles e Rolling Stones, em busca de praias bonitas, limpas e quase desertas. O preço para aproveitar esse paraíso era a certeza de uma viagem desgastante, com barracas pesadas nas costas, todos os mantimentos na bagagem, e de noites mal dormidas em colchonetes nas barracas ou em redes improvisadas em casas de pescadores.
Foi essa paisagem romântica que projetou a Ilha do Mel no cenário internacional e até hoje atrai todos os anos centenas de turistas de outros Estados e países. A ilha continua linda.
A maior parte de seus 2.740 hectares continua preservada. Mas o paraíso da geração hippie deu lugar a uma outra ilha. O turista conta hoje com pelo menos 128 estabelecimentos comerciais, segundo cadastro do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), entre pousadas, restaurantes e campings, que garantem a infra-estrutura.
O preço para uma estadia com conforto são as conseqüências do desenvolvimento. A ilha sofre com problemas como a falta de coleta de esgoto, ausência de um sistema eficiente de recolhimento do lixo e construções que desrespeitam o plano de uso local. São problemas que o IAP vem tentando resolver, com conscientização, notificações e autuações.
Das 49 construções irregulares, por uso de material de construção não adequado, altura ou tamanho acima do permitido, três já tiveram que ser demolidas, para serem reconstruídas dentro das normas, 29 são tema de ações judiciais e outras assinaram termos de ajustamento.
A preservação da natureza é inversamente proporcional ao desenvolvimento, avalia Regionato Bueno, chefe-regional do IAP no Litoral e coordenador da Ilha do Mel. Para ele, o esgoto é o maior problema enfrentado. Não há nenhuma coleta na ilha. A população é instruída a construir fossas sépticas e fazer o tratamento de seus esgotos, mas a maioria não o faz. As pessoas têm que se conscientizar de que esgoto não é só um problema do Estado. Cada um tem que se preocupar com o destino de seus dejetos, diz. De acordo com ele, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano tem um plano que prevê a construção de pequenas usinas de processamento de esgoto na ilha, mas sua implantação ainda depende de mais estudos e levantamento de custos.
A coleta de lixo, realizada em conjunto entre IAP e Prefeitura de Paranaguá município ao qual a ilha é vinculada tem problemas em alguns estabelecimentos que geram mais de 200 litros de lixo. Segundo Bueno, esses estabelecimentos são responsáveis por levar seu lixo, separado, bem acondicionado e em horários pré-estabelecidos, até a área de transbordo. A maioria respeita, mas alguns geram problemas, como lixo espalhado pelo chão, diz. A penalidade pode chegar a multas entre R$ 300 a R$ 1,5 mil.
A ilha mudou de perfil. Ela era uma grande colônia de pesca. Com a demanda imobiliária os pescadores começaram a vender áreas, avalia Bueno.


