de Cornélio Procópio
A Companhia Iguaçu de Café Solúvel, com sede em Cornélio Procópio, não é exceção no cenário das empresas exportadoras brasileiras após o Plano Real: ali, também, a política cambial tem tido efeitos devastadores. ‘‘O governo utilizou a âncora cambial como principal ferramenta para o controle da inflação, mantendo, desde o início, o real sobrevalorizado em relação ao dólar, o que tem incentivado a importação e desencorajado as vendas externas’’, diz o diretor vice-presidente da empresa, Rodolpho Seigo Takahashi.
A situação agravou-se mais ainda recentemente, com a valorização da moeda norte-americana em relação às moedas dos principais países industrializados como, por exemplo, o marco alemão, a libra esterlina e o ien japonês, afirma o empresário. Mas ele observa que a inflação baixa e a desindexação da economia, conquistas do Plano Real, por outro lado, têm sido altamente positivas.
‘‘Estão nos permitindo fazer planos de longo prazo, o que, até pouco tempo, era impossível’’, diz. A estabilidade tem favorecido os investimentos, afirma, ‘‘e permitiu ao grupo concentrar em sua atividade principal o chamado core business, deixando de lado a preocupação de fazer hedging (proteção) de seus ativos contra a corrosão inflacionária’’.
Com faturamento de R$ 180 milhões no ano passado e lucro líquido de R$ 5,6 milhões, a Iguaçu aderiu à onda da estrutura enxuta e reduziu o seu quadro de funcionários de 524, em dezembro de 1995, para 397 atualmente. Em 1994, cada trabalhador produzia a média de 226 quilos/dia. Hoje, são 301 quilos/dia. Um ganho apreciável de produtividade.
Do total de produção da empresa, 90% vai para o mercado externo e apenas 10% abastece o mercado brasileiro. Em 1994, a Iguaçu tinha o lucro líquido de R$ 0,21 por lote de mil ações. No ano seguinte, passou a R$ 0,05 e, no ano passado, o lucro líquido por ação foi a R$ 0,20.
A Iguaçu produz café solúvel ‘‘spray dried’’, aglomerado, ‘‘freezy dry’’, cappuccino e extrato de café. Nos planos da companhia estão investimentos em tecnologia, produtividade e qualidade, mas, para isso, a direção da empresa cobra investimentos também do governo. ‘‘É preciso que o Brasil aperfeiçoe o seu sistema de transporte, inviável como está para um país dessa dimensão. O custo fica tão alto para o exportador que torna os nossos produtos sem competitividade lá fora. É preciso melhorar o transporte ferroviário, não ficando apenas na alternativa rodoviária’’, sugere Takahashi.
Abastecimento de energia, serviços portuários e comunicação também precisam ser observados com atenção, segundo ele. ‘‘Qualquer crescimento do PIB vai provocar colapso de energia. Os portos precisam ser modernizados porque são os mais caros do mundo, além de tecnicamente ultrapassados. E a comunicação tem custo muito alto em comparação com países industrializados’’.
Na opinião do vice-presidente da Iguaçu, o Brasil não precisa importar menos, mas, ao contrário, deve tomar providências no sentido de exportar mais. ‘‘Os nossos produtos têm preço alto porque também têm a carga tributária mais alta do mundo. Isso tem que ser resolvido’’, afirma. Para o País ingressar em um novo ciclo de desenvolvimento, o governo deve incentivar a agricultura, pensa o empresário. ‘‘Além da vocação indiscutível do País nessa direção, é essa área que tem retorno e maturação mais rápida. Todos os países desenvolvidos subsidiam a sua agricultura. Precisamos de uma política agrícola sólida e consistente, com forte apoio creditício’’.
Para ele, também a reforma estrutural deve ser levada a cabo, diminuindo o tamanho do Estado, o que já implicaria em redução da carga tributária. ‘‘Basta lembrarmos que na década de 70, no chamado período de ‘‘milagre econômico’’, o Brasil investia 25% do seu PIB e na década de 80 esse índice caiu para 14%. Daí a razão da estagnação da economia agora’’, afirma. ‘‘A médio e longo prazo, o País precisa investir pesadamente em educação’’, completa.RAIO X
Setor: Alimento
Faturamento
- em 96: R$ 180 milhões
- Previsão para 97: Não fornecido
Lucro líquido: R$ 5,6 milhões
Funcionários: 397

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