Igrejas mães
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Sempre que está pelo Centro da cidade, o vendedor Jonas Santos, morador do bairro Cajuru, aproveita para visitar a Catedral de Curitiba, onde busca ''um alento para a alma''. Assim também são as visitas da aposentada Arlinda dos Santos, moradora de São José dos Pinhais, que aproveita as consultas médicas na capital para fazer suas orações. ''Aqui eu me sinto mais à vontade'', afirma ela, que diz já ter recebido várias graças através das orações em nome de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, padroeira de Curitiba.
Para o cônego Genivaldo Ximenes da Silva, que assumiu a paróquia central em fevereiro desse ano, uma das funções da Catedral é ser um ''ponto de descanso espiritual'' aos fiéis que a procuram. Ele observa que a igreja tem um perfil diferente, onde o público flutuante é muito grande. ''É um local de passagem, os fiéis fixos, que você sempre vê, são poucos'', diz.
Essa característica, no entanto, não significa que a Catedral é pouco frequentada, muito pelo contrário. Apesar de o Centro ser um bairro essencialmente comercial, com um percentual reduzido de moradores, as missas de meio-dia costumam reunir mais de mil pessoas nos dias de semana e 1,3 mil aos domingos. ''A maioria vêm de outras paróquias e até de outros municípios'', observa o cônego.
Outra característica importante dessa ''igreja mãe'' é o fato da Catedral de Curitiba ser um ponto turístico bastante visitado. ''É diferente de qualquer outra paróquia que eu já passei, por isso a grande preocupação em torná-la acolhedora para os visitantes, que são das mais diversas fés'', afirma Ximenes.
Essa preocupação também marca o trabalho da Catedral de São José dos Pinhais, cidade da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A diocese sãojoseense reúne paróquias de oito municípios da região. Ela desmembrou-se da arquidiocese da capital em dezembro de 2006, elevando sua igreja matriz à categoria de Catedral. Também serve como ponto aglutinador de fiéis, além das 11 paróquias localizadas no município, segundo o pároco padre Aleixo de Souza, muitos vêm dos municípios vizinhos para as celebrações religiosas. ''Virar diocese nos deixou mais próximos da população'', diz.
A opinião é compartilhada pelo prefeito de São José dos Pinhais, Leopoldo Meyer (PSDB). ''Hoje tem muito mais secerdotes e há uma aproximação das comunidades dos demais municípios'', avalia.
No início desse ano, a Catedral de São José dos Pinhais sofreu um duro golpe no seu patrimônio histórico. Um homem portador de transtorno mental entrou na igreja e destruiu 12 imagens de santos, sendo a mais valiosa uma imagem francesa do padroeiro da cidade, São José dos Pinhais. ''Algumas (imagens) não tem mais recuperação'', lamenta o pároco.


