Igreja Católica quer reencontrar fiéis
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Mauricio Della Barba 
Prestes a entrar no novo milênio, a Igreja Católica quer reencontrar seus fiéis, dando a eles uma nova imagem, de prática e desempenho cristãos. A Igreja Católica está preparada para o novo milênio: com essa confiança no futuro, assim considera o arcebispo D. Albano Cavallin, que está há seis anos à frente da Arquidiocese de Londrina.
Com novos conceitos, novos métodos e muita disposição, a Igreja Católica se organiza para a luta e os desafios vindouros. São 300 igrejas construídas nestes 64 anos de Londrina, que abrigam 104 padres, 245 irmãs e mais de 150 mil católicos militantes, os que estão ligados diretamente com o catolicismo. Vamos entrar no ano 2000 com uma Igreja renovada não só na valorização dos sacramentos mas também na nossa doutrina, promete o arcebispo.
A principal forma de arrebanhar novas ovelhas do rebanho para o novo milênio será o movimento Missões Populares, organizado pelos católicos. Segundo D. Albano, cerca de 10 mil pessoas estarão no próximo ano visitando lares e pessoas da cidade para levar mensagens da Bíblia às famílias. Vamos transformar cada casa em uma igreja. A imagem de imponência da igreja afastou as pessoas, admite o arcebispo, para traduzir o esforço dos católicos em ampliar sua participação na vida terrena - ou recuperar espaços nas comunidades.
Avaliando o século que termina, D. Albano vê uma evolução da Igreja Católica. Ele lembra, por exemplo, que temas antes considerados fortíssimos tabus, como o aborto, o homosexualismo e o divórcio são hoje discutidos abertamente por padres e bispos católicos junto com a comunidade que professa a fé e os costumes católicos. O homem tem que distinguir a sua verdadeira evolução. A sociedade mudou e ela mesmo não aceita certos comportamentos. O importante é que o valor da vida continua o mesmo, explica o arcebispo.
Devidamente acompanhando os sinais dos tempos, o público que participa das missas também mudou, segundo o arcebispo. Hoje há uma participação maior relativa a anos anterioes. Há alguns anos atrás, a Igreja era exageradamente feminina. Agora existe um equílibrio entre homens e mulheres, afirma o arcebispo.
Ainda de acordo com D. Albano, a maior dificuldade que a Igreja Católica encontra hoje está em manter na fé a classe miserável e a classe capitalista. Ele explica: O miserável está excluído da sociedade e preocupado em ganhar o pão, e o dinheiro faz com que o capitalista esqueça de suas raízes, considera.
Mas o arcebispo de Londrina é realista com relação aos métodos atuais da Igreja Católica - como os do tipo show utilizados pelo padre paulista Marcelo Rossi, considerado um fenômeno na agregação de fiéis: Há pessoas com o dom da comunicação. Não rejeito o estilo usado por ele. É um meio para arrebanhar as pessoas. Temos que encontrar a união da louvação com o estilo social, analisa o prelado.
Para Londrina, D. Albano prevê um século de crescimento. Gosto muito desta cidade. O segredo da renovação a longo prazo está na educação. Londrina deve investir nisso se quiser ser uma cidade feliz, disse.


