Igreja católica é a que mais cede espaço
Juliana Galhardo, Juliana Ferraccini e Igor Mori este último, integrante da Comunidade Messiânica possuem, neste momento, crenças aparentemente opostas. A diversidade de idéias, porém, não é antiga. Todos eles já tiveram o catolicismo como religião e concordam que a fé cristã deixou de oferecer a eles o conforto espiritual que esperavam, em meio ao contexto globalização/pós-modernidade/corrupção.
As wiccanas têm a religião de origem medieval como crença há cerca de 10 anos e hoje garantem que sentem-se espiritualmente completas com o novo credo. Segundo elas, a estagnação da Igreja Católica foi um dos principais fatores para que uma outra crença fosse procurada. ''Já não me sentia bem em uma missa desde os 15 anos. Foi quando comecei a estudar a Wicca, ao mesmo tempo em que frequentei outros credos, como o espiritismo. Muitos me atraíram, mas somente a Wicca me preencheu'', afirma Dreida.
O operador de edição Igor Mori, por sua vez, apresenta motivos familiares para a migração do catolicismo para a Igreja Messiânica. Católico por hábito imposto pelos pais, Mori já recebia, desde criança, o Johrei, ministrado pela avó. ''Quando ela morreu, há dois anos, senti a necessidade de preservar esta tradição na família. Me sinto espiritualmente completo com isso, até porque a Igreja Católica parou no tempo''. A crítica é pontual, mas bem recebida pelos representantes do catolicismo. Mas a maior Igreja do mundo realmente se preocupa com o crescimento de outras crenças?
''Nos preocupamos, com certeza'', responde o frei Adelino Frigo, superintendente da Fraternidade Santa Clara e professor de ecumenismo do Instituto Paulo XI, em Londrina. E completa: ''Com isto, percebemos a falta de identidade dos fiéis com a Igreja que frequentavam. Não há identificação, há somente a tradição, passada de pai para filho'', explica.
Com esta afirmação, frei Frigo faz um mea-culpa da Igreja em relação à perda de fiéis, reforçando ainda a opinião manifestada pela professora Elena Andrei. ''A modernidade coloca novos embates e dificuldades para as pessoas e elas, que já não se identificam com a religião que praticam, abraçam novas propostas, mais próximas da realidade que as cercam. Cabe a nós, agora, priorizar o estudo da palavra do senhor, ao invés dos sacramentos e cultos que até então eram fechados'', diz.
A preocupação do Frei Frigo, no entanto, vem acompanhada de uma ressalva. ''Nos preocupamos porque a verdade nos foi revelada e queremos a oportunidade para expandi-la. Isso não significa que praticantes de outros credos não possam alcançar a salvação, um dom que só pode ser alcançado com fé em Deus, independente do nome que damos a ele. Sabemos que Ele quer a glória de todos, e para isso Ele opera em qualquer Igreja. O que o homem não pode permitir para si mesmo é acreditar que ele possui o segredo da própria salvação. Lúcifer foi um dos que pensou desta forma'', completa.(A.M.)





