Para levar o programa adiante, a equipe do Paraná Alfabetizado precisa quebrar resistências, explica o coordenador Wagner do Amaral. ''A primeira dificuldade é a identificação da pessoa analfabeta. Por vergonha ou medo, muitas pessoas não se reconhecem analfabetas. Convencê-las é uma tarefa difícil'', diz o coordenador.
O segundo grande problema é a evasão. ''O frio, o trabalho, a família, qualquer coisa é motivo de desistência. Instruímos os educadores para que insistam. Mas essa é uma questão que não depende apenas dos alfabetizadores, e sim da sociedade como um todo. Uma pessoa que contrata uma empregada doméstica, por exemplo, deve apoiar o programa e permitir que ela estude'', relata Amaral. Segundo o coordenador, o Paraná Alfabetizado busca identificar educadores na própria comunidade para que professores e alunos não tenham que se deslocar muito para as aulas.
Lúcia Regina Domeneguetti Pinheiro da Silva dá aulas dentro do programa no Colégio Estadual Yvone Pimentel, localizado no Novo Mundo, em Curitiba. ''Nós pegamos uma listagem dos analfabetos e fomos de porta em porta. Vemos os alunos todos os dias na rua. Se faltam, pegamos no pé'', explica a educadora.
O pedreiro Deoclécio Carmo de Lima, 41 anos, está frequentando as aulas do Paraná Alfabetizado. Nascido no interior do Piauí, ele diz que não pôde estudar porque a família trabalhava na roça e ele tinha que ajudar.
''Decidi aprender a ler e escrever agora porque sem isso é muito difícil arranjar emprego. As coisas estão começando a melhorar para mim. Já sei pegar o ônibus sozinho, reconheço as letras. Antes, tinha que perguntar para as pessoas qual ônibus eu tinha que pegar'', diz o pedreiro.
Na localidade do Morro Grande, na área rural de Cerro Azul (RMC), as aulas são realizadas no refeitório de uma escola municipal que tem apenas duas salas de aula.
''Quando comecei, havia 21 inscritos. Vieram 15 e agora são 12 alunas. Há muita evasão. Muitos moradores são gente que trabalha na roça, tem que cuidar das crianças, cuidar da casa... Agora temos transporte, mas no começo algumas alunas tinham que andar até três quilômetros a pé para vir à aula'', conta Katrine Raab Rocha, professora do programa.
A produtora rural Jermina Maria Leal da Silva, 56, afirma que tinha vontade de estudar quando criança, mas não conseguiu. ''Meu pai teve problemas de saúde e ficou cinco anos doente. Eu tinha vontade de estudar, mas não podia porque tinha que trabalhar'', lembra.
A dona-de-casa Arlete dos Reis Platner, 44, também é aluna. Ela diz que o estudo ''fez falta''. ''O que eu aprendo dá para o gasto. Sei que não tenho tempo para estudar mais, para fazer um concurso público... Mas o que a gente aprende já significa muito'', garante. (F.G.)

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