'Identidade está no sangue', diz professora caingangue
''Nossa identidade está no sangue, e não no que fazemos de igual ou diferente de nossos ancestrais ou do branco''. Assim a professora Gilda Kuitá defende a tese de que nenhum dos caingangues da Reserva do Apucaraninha é menos índio porque está muito ou pouco adaptado a outras culturas.
''Eles tiveram muitos traços culturais reinventados, em decorrência de 200 anos de contato interétnico. Mas vários aspectos culturais que refletem a identidade do povo caingangue ainda estão lá, de outra maneira'', garante a antropóloga Marlene de Oliveira, respaldada por hábitos simples e milenares.
O maior símbolo da preservação cultural da comunidade para Marlene e Virgílio é a língua caingangue, idioma oficial da reserva, usada em conversas simples entre os índios, ou mesmo quando eles têm interesse em esconder algo dos visitantes. Tudo, entre eles, é tratado em caingangue, língua que o cacique garante ser muito mais fácil de ser ensinada e aprendida que o português.
O preparo de comidas típicas, como o menhí (pronuncia-se men-rú) e o ~em~i (emí), que têm o milho como base, é muito comemorado entre eles. Os dois pratos, segundo Virgílio, são como uma espécie de farofa, de sabor levemente adocicado. ''A diferença é que no menhú o milho é torrado. No ~em~i, nós só lavamos o grão debulhado e deixamos um pouco de molho, antes de moê-lo'', explica.
Há, ainda, a preocupação em recuperar hábitos artísticos, como a dança. E também merecedora de grande destaque por Gilda, há a pintura do corpo, que segundo ela, define toda a organização social da tribo e o papel de cada indivíduo na comunidade.





