A mistura de raças, a luta pelo território, o mergulho nos grotões, o jeitinho para sobreviver, a luta contra a exclusão e a fé no próprio destino. A alma do país revelada pelos escritores brasileiros e seus personagens

Uma face, muitas faces
Não se sabia onde nascera, mas não fora decerto em São Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no Pará. Errava quem quisesse encontrar nele qualquer regionalismo; Quaresma era antes de tudo um brasileiro’’. (‘‘Triste fim de Policarpo Quaresma’’, de Lima Barreto)
Terra da promissão
‘‘Vinham de todos os pontos, carregando os haveres todos; e, transpostas as últimas voltas do caminho, quando divisavam o campanário humilde, caíam genuflexos sobre o chão aspérrimo. Estava atingido o termo da romagem. (...) Pisavam, afinal, a terra da promissão’’. (Euclides da Cunha em ‘‘Os sertões’’)
Crescer e multiplicar
‘‘A criança veio ao mundo roxa e muda, meio morta. Ana segurou-lhe pelos pés, ergueu-a no ar, de cabeça para baixo, e começou a dar fortes palmadas nas nádegas até fazer a criaturinha berrar (...). Desde esse dia Ana Terra ganhou fama de ter ’boa mão’...’’ (‘‘Ana Terra’’, de ‘‘O tempo e o vento’’, Erico Verissimo)
O caráter do herói
‘‘Ai! que preguiça!’’
‘‘Valei-me Nossa Senhora,
Santo Antônio de Nazaré
A vaca mansa dá leite.
A braba dá si quis钒
(‘‘Macunaíma, o herói sem nenhum caráter’’, de Mário de Andrade)
O eu, os outros
‘‘A alegria com que pôs o chapéu de casada, e o ar de casada com que me deu a mão (...) Não lhe bastava ser casada entre quatro paredes e algumas árvores; precisava do resto do mundo também. E quando me vi embaixo, pisando as ruas com ela, parando, olhando, falando, senti a mesma coisa.’’ (‘‘Dom Casmurro’’, Machado de Assis)
Nos grotões, a procura
‘‘Riobaldo, homem, eu, sem pai, sem mãe, sem apego nenhum, sem pertencências. Comigo as coisas não têm hoje, ant’ôntem, amanhã: é sempre. Sozinho sou, sendo sozinho careço, sempre nas estreitas horas - isso procuro’’. (Riobaldo, em ‘‘Grande sertão: veredas’’, Guimarães Rosa)

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