Como cidade de colonização recente e multicultural, Londrina sempre foi aberta a ideias trazidas de fora. Nos últimos anos, estão se tornando comuns na cidade histórias de empreendedores que passaram um período fora do País e trouxeram para os londrinenses novas possibilidades, pouco difundidas ou que simplesmente não existiam por aqui.
Gilberto Iwama Junior, o Ju, começou a praticar BMX em Londrina na adolescência. Foi para o Japão trabalhar e lá participou de competições da modalidade. Após cinco anos, voltou para Londrina com a ideia de abrir uma loja de artigos de BMX com uma minirrampa para que os praticantes pudessem desenvolver suas manobras.
"Como atleta, a gente sempre tem a ideia de ter uma rampa em casa ou em algum lugar próximo para praticar. Abri a loja, a Open Bike Shop, no final de 2011 com um sócio (que depois saiu), perto do Shopping Quintino. Tínhamos a intenção de ter uma loja maior, para fazer a minirrampa, mas tivemos que ficar nesse lugar pequeno por alguns meses. Depois mudamos para a loja atual (na Rua Mossoró, na Região Central de Londrina) e tivemos o espaço para fazer a rampa", relata Ju.
Ele diz conhecer em todo o Brasil apenas outras duas lojas que operam no mesmo sistema da Open Bike Shop: com uma minirrampa com cobertura e aberta para quem quiser praticar. O estabelecimento cobra uma taxa simbólica de R$ 5.
Ju aponta que os vários praticantes de BMX de Londrina e região sofriam com a falta de lugares apropriados para treinar. "O esporte local estava precisando, para os que já andam e para os que estão começando. Aqui, os praticantes se machucam menos, aprendem mais rápido, ficam protegidos da chuva", explica. Ele estima que aproximadamente 20 pessoas treinam no local semanalmente. "Muita gente de fora fala que quer vir treinar aqui", diz Ju.
Após trabalhar 20 anos como publicitário, Luiz Carlos Santi teve a ideia de abrir um empreendimento em Londrina após uma viagem aos Estados Unidos. "Em Nova Iorque, principalmente no bairro de Little Italy, eles têm o hábito do coffee cake, o nosso bolo caseiro, para comer com café ou chá", relata Santi. Há seis meses, ele abriu na Rua Piauí a loja Bolos do Frade.
"No Brasil, já existe há algum tempo essa tendência de valorizar coisas mais simples, estilo de vida familiar, mais saudável, cultivar hortas caseiras... Em São Paulo, na capital e no interior, essa moda de bolo caseiro vem de uns dois anos para cá. Mas ali é uma coisa meio espartana, você vai, pega o bolo, compra e vai embora. Nos Estados Unidos, a experiência é mais completa. O ambiente é atrativo e a variedade de bolos é maior. Aqui (na Bolos do Frade), o impacto visual é grande, há o lado olfativo, porque os bolos são feitos de meia em meia hora, então tem sempre cheiro de bolo quentinho, os clientes podem degustar o produto, a música é dos anos 50 – aqui, usamos muito jazz", explica.
O sucesso da loja foi tão grande que outras duas unidades já foram inauguradas em Londrina, na Avenida Higienópolis e na Rua Pará. Em março, devem ser abertas duas franquias em São Paulo e outra unidade londrinense, na Avenida Maringá. Para o primeiro semestre de 2014, estão previstas também novas lojas em Curitiba e em Maringá.
"Bolo é uma coisa que o brasileiro nunca deixou de comer. O que acontece é que as pessoas não têm mais tempo para fazer um bolo caseiro. E há uma dificuldade de encontrar produtos de qualidade e levar para comer em casa. Sentimos que as pessoas estão gostando de consumir esses bolos gostosos e ter essa experiência que a loja proporciona", diz Santi.
O paulista Tony Strauss morava em Cambé e, após passar cinco anos e meio no Japão, teve a ideia de abrir a Reverb City, loja de Londrina conhecida em todo o Brasil pelas suas camisetas com estampas de bandas de rock.
"A ideia era criar um selo musical. Comecei a distribuir CDs da banda Monokini (de São Paulo) no Japão, saíram matérias em algumas revistas e jornais... O lance das camisetas veio por acaso. Comecei a procurar camisetas de bandas que eu gostava e não achava. Comprei uma do Modest Mouse (grupo americano). Quando voltei para o Brasil, a camiseta estava velha. Quis fazer uma réplica dela, mas para isso precisava encomendar no mínimo 30 iguais. Fiquei com cinco para mim e vendi as outras 25. Foi aí que tive a ideia de fazer camisetas de bandas", explica Strauss.
Desde 2004, quando a Reverb City foi criada, a produção aumentou muito. Além de peças com designs alusivos a bandas de rock, a empresa também faz estampas relacionadas a filmes e séries de TV e agora quer priorizar designs com temas próprios. Também comercializa buttons, pôsteres, chinelos e ecobags. Outros produtos estão em estudo, como calças jeans. A Reverb possui lojas em Londrina e São Paulo, tem produtos em 40 pontos de venda em todo o Brasil e vende pelo site próprio (www.reverbcity.com).
"Era uma coisa que não tinha em Londrina e em todo o País. Se você ia comprar uma camiseta de banda, era aquela camiseta preta, promocional, com a capa do disco, malha ruim. Nós priorizamos malha boa, design, um produto de qualidade", afirma Strauss.

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| Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli
Luiz Carlos Santi voltou de uma viagem aos Estados Unidos com a ideia de abrir uma loja de bolos caseiros: "Em Nova Iorque, eles têm o hábito do coffee cake, o nosso bolo caseiro, para comer com café ou chá"
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"Era uma coisa que não tinha em Londrina e em todo o País", diz Tony Strauss, que criou uma grife de camisetas com estampas de bandas de rock depois de morar no Japão
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A temporada na Terra do Sol Nascente inspirou o negócio de Gilberto Iwama Junior: uma loja de artigos de BMX com uma minirrampa para que os praticantes possam desenvolver suas manobras
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