IDÉIA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Acostumada a presenciar todo o tipo de história, a Morte decide compartilhar conosco a de uma menina com quem ela se deparou em três ocasiões. A Menina que Roubava Livros é Liesel Meminger, uma criança que aos nove anos de idade tem sua vida transformada na Alemanha Nazista de Hitler.
Depois de ver o irmão morrer ao seu lado dentro de um trem e ser enterrado na neve, para em seguida ser separada da mãe e enviada para a casa de uma família desconhecida, Liesel começa a viver a fase que mais tarde avaliaria como a mais feliz de sua vida.
As noites de sono interrompidas sempre pelo mesmo pesadelo transformam-se em madrugadas de alfabetização através de palavras escritas e reescritas na parede do porão com a companhia do pai adotivo. Com o tempo as atividades noturnas evoluiriam para longas sessões de leitura do Manual do Coveiro, o primeiro livro roubado, no funeral do irmão. E, em seguida, das outras obras que viriam e seriam compartilhadas com novos interlocutores em outras circuntâncias mais atribuladas.
O dia era dividido entre a escola, o futebol com as crianças da vizinhança, as entregas da roupa lavada e passada pela mãe adotiva (enquanto ainda havia fregueses), algumas maçãs conquistadas entre uma e outra pulada de cerca em propriedades particulares na companhia do melhor amigo e a Liga de Meninas Alemãs, da Juventude Hitlerista.
É nessa época que ela descobre o termo comunista, aprende a odiar e saudar o Führer e se dá conta do que significava ser judeu naquele tempo e naquele país. Ao contar essa história de forma envolvente, a Morte ensina também a nós o que Liesel aprendeu sem ter outra opção.
A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak, tradução Vera Ribeiro. Intrínseca, 2007. 500 páginas. Nas Livrarias Curitiba o preço é R$ 39,90.


