IDÉIA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de maio de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
São quase 500 páginas mas não se assuste, o texto é dinâmico e envolvente. Neve, do prêmio Nobel Orhan Pamuk, oferece aos leitores do Ocidente a chance de conhecer um pouco do que se passa entre os moradores de uma pequena cidade pobre da Turquia durante um período em que ela está isolada do mundo por causa da neve constante. E, por extensão, como se dão conflitos como a revolta de jovens garotas proibidas pelo Estado de entrarem na escola com a cabeça coberta pelo véu, como manda a tradição islâmica. O que muitos moradores acreditam ser o motivo de uma série recente de suicídios entre as estudantes da cidade.
Em meio a uma tentativa de golpe militar durante o período eleitoral, marcado por assassinatos e atentados terroristas, o livro nos traz ainda as dúvidas e angústias de alunos da escola secundária religiosa quanto à sua fé, às condições de vida em uma cidade marcada pelo desemprego e à pobreza, e o sentimento de rivalidade em relação aos povos ricos da Europa. A história é contada pelo amigo do poeta turco Ka. Depois de anos vivendo em Frankfurt, na Alemanha, Ka volta ao seu país de origem com a esperança de encontrar a felicidade e vive na pequena cidade de Kars momentos de alegria e profunda angústia. A fé religiosa e a oposição entre crentes islâmicos e ateus estão presentes ao longo de todo o romance.
O narrador já conhece como a história termina e às vezes antecipa acontecimentos e sentimentos dos personagens tornando o texto ainda mais instigante. Nascido em Istambul, em 1952, Orhan Pamuk é hoje o principal romancista turco, traduzido em mais de 40 idiomas. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura no ano passado.


