Na passagem entre as décadas de 20 e 30, na França, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, que viriam a se tornar renomados filósofos existencialistas, eram dois jovens rebeldes na faixa dos 20 anos. Eles não concordavam com as hipocrisias burguesas e as sacralidades católicas, e preparavam-se para a 'agrégation' em filosofia, o competitivo exame nacional para licenciatura.
Em 1929, Simone de Beauvoir era aos 21 anos a pessoa mais jovem a conseguir a 'agrégation'. Ficou em segundo lugar. O primeiro colocado foi Sartre, que no ano anterior, contrariando todas as espectativas, não fora aprovado. A partir daí, os dois nunca mais deixariam de estar juntos. Tiveram amantes diversos, alguns compartilhados, mas sempre mativeram o compromisso firmado de ser um do outro. Hoje estão sepultados no mesmo jazigo.
A história do casal que tornou-se referência como livre-pensadores no fim da Segunda Guerra Mundial, é contada pela primeira vez como uma dupla biografia pela pesquisadora Hazel Rowley, em 'Tête-à-Tête'. O livro é baseado na intensa correspondência entre os dois personagens, nos diários de Beauvoir, amigos e amantes, em entrevistas e na vasta produção do casal em gêneros diversos como peças, romances, ensaios filosóficos, narrativas de viagens, autobiografia, memórias, biografia e jornalismo.
Tête-à-Tête mostra como dois jovens pensadores que administravam seus conflitos pessoais entre cafés e hotéis da Paris do início do século XX tornaram-se referência intelectual para além das froteiras de seu país. Um livro que nos apresenta Beauvoir e Sartre de carne e osso, suas fragilidades e a forma como lidavam com elas ao longo de uma vida comum cheia de histórias e relações pessoais instigantes.

Serviço
- Tête-à-Tête. Hazel Rowley, tradução de Adalgisa Campos da Silva. Objetiva, 2006, 462 páginas, R$ 54,90.

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